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quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Curso a distância em Divulgação Cientítica

A Universidade Gama Filho oferece, a partir de abril, o curso de especialização em DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA, com carga horária: 340h a distância + 20h presenciais (em São Paulo).

Contando com corpo docente altamente qualificado, a pós-graduação foi elaborada de forma a atender às necessidades de mercado, considerando os avanços tecnológicos tão marcantes em nossa época.

Estar por dentro do que se passa e, mais ainda, saber como divulgar descobertas, novas tecnologias e a ciência em si mesma são desafios dos profissionais atentos e engajados com os avanços em geral.

De forma semi-presencial (apenas 20h presenciais), o curso possibilita a adesão de alunos em todo Brasil. Para se inscrever basta se conectar aqui, preencher a ficha e seguir os passos orientados.

Não perca esta oportunidade de se informar e reciclar seus conhecimentos com que há de mais atualizado no campo da divulgação científica. Afinal, o século XXI é marcado pela tomada de consciência acerca de nossas atitudes e os reflexos delas para o planeta, para nós mesmos e para as próximas gerações.
Já dizia Albert Einstein "toda a nossa ciência, comparada com a realidade, é primitiva e infantil - e, no entanto, é a coisa mais preciosa que temos."
Aguardamos você!

Um abraço da equipe
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quarta-feira, setembro 17, 2008

Abaixo a feira do livro!

A feira do livro deste ano, em Brasília, foi um fiasco. Ao contrário do meu pensamento, o site do evento propaga o sucesso de vendas e público (para saber dados entre no site por aqui e por aqui). É que estamos muito acostumados com dados e informações aparentes. No entanto, quem por lá passou viu que a realidade estava para além do bonitinha temática página virtual.

Desorganizada e mascarada, a feira atropelou autores e leitores e primou (mais uma vez) por números (vendas, passantes, pseudo bate-papos). Os expectadores (ops, consumidores!) dos eventos chamados literários (por convenção apenas) tiveram que assistir aos constrangimentos que passaram os autores convidados. Estes eram interrompidos antes de terminar uma palestra para darem lugar a outros que não teriam a oportunidade de falar porque a "agenda" estava uma zona!
De fato parecia uma feira, um fim de feira com laranjas rolando a ladeira. Muitos convidados que vieram de outros países fizeram mais o papel de vitrine do que de escritores - não por culpa deles é claro - em razão dos atropelos do cerimonial ou quem quer que tenha bolado a programação.
Porém, o que me incomoda, digamos, é a mesmice. Salvo mínimas excessões, a feira do livro parece desova de encalhes. Centenas de livros "kits" para crianças e ausência de obras distantes das mais vendidas da Veja ou similar. Ir a um "grande" (?) evento literário (?) para encontrar mais do mesmo é frustrante. Encontrar novamente os hipermercados (ops, megastores) de papel é triste.
Assim, quando vejo um texto como o abaixo sobre "A importância de despertar o hábito de ler ", feito por um provavelmente dono de hipermercado, minhas especulações se confirmam. Exatamente por isso escrevi o contraponto "Abaixo o hábito da leitura".
Na próxima feira espero encontrar algo além de cultivares com agrotóxico, pois tenho fome de algo mais elaborado, orgânico, vital...


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A importância de despertar o hábito de ler (por Oswaldo Siciliano) - O Estado de São Paulo - 09/03/2006

Quando foi realizada pela primeira vez, em 1970, no Pavilhão do Ibirapuera, a Bienal Internacional do Livro de São Paulo representava, ainda que com números tímidos, a consolidação de um antigo e audacioso sonho: o de provar que o Brasil era capaz de promover um evento literário de grande porte e mostrar ao público a produção editorial de nosso país.

Hoje, 36 anos depois, os grandiosos números da Bienal dão a exata medida da evolução do setor nesse período. A partir de hoje, na presença das principais personalidades do mundo cultural e político, será cortada a fita inaugural de sua 19ª edição. Nos 11 dias que se seguirem, cerca de 800 mil pessoas estão sendo aguardadas no Anhembi para participarem da maior festa do livro da América Latina.

Serão 310 horas de intensa atividade cultural, que colocarão o livro e a leitura em grande destaque junto aos mais diferentes públicos de nossa sociedade. Em mais de 57 mil metros quadrados, os 320 expositores do Brasil e de mais 12 países terão a oportunidade de apresentar seus lançamentos, expor os livros de seus catálogos e, principalmente, estreitar o contato com leitores de todas as idades.

Uma das vocações mais proeminentes da Bienal é o de despertar o hábito de ler. A cada edição um novo e fiel séquito de leitores se forma: são crianças, jovens, adultos e idosos de todas as classes sociais que, ao estabelecer contato - muitas vezes pela primeira vez - com o mundo dos livros, criam uma empatia imediata e duradoura com as palavras, transformando-se em agentes ativos da leitura.

Em seu inerente papel no processo de formação de novos leitores, a Bienal preparou mais cem horas de atividades gratuitas para as crianças, em um espaço próprio, com capacidade para receber 2.500 pessoas. Serão cerca de 180 mil estudantes das redes pública e privada de ensino do Estado de São Paulo na Visitação Escolar. Essas crianças não sairão "incólumes" do Anhembi. Levarão para as pessoas de seu convívio um livro ou, no mínimo, a experiência de terem se relacionado com o universo mágico da leitura.

Mas, para que esse estímulo não se perca, é necessário que os professores estejam preparados para renová-lo continuamente junto aos seus alunos e que os jovens que em breve ingressarão no mercado de trabalho tenham sempre em mente a importância do livro em sua vida profissional.

Dentro desse contexto, a Bienal preparou eventos específicos para esses dois públicos. O Fala, Professor! é um ciclo de palestras voltadas à educação continuada para docentes de 1º e 2º graus, abordando técnicas e materiais de apoio em sala de aula para otimizar o ensino das mais diversas disciplinas e o aperfeiçoamento da comunicação entre professores e alunos. Já o Espaço Universitário traz profissionais renomados das mais diversas áreas (direito, marketing, história, gastronomia, jornalismo, turismo, moda e muitos outros) para conversar com os jovens que querem saber mais sobre as profissões que poderão abraçar.

Como se pode observar, além de ser a grandiosa vitrine do mercado editorial brasileiro, com quase 2 milhões de livros expostos, a Bienal representa um importantíssimo acontecimento cultural, constituindo-se num importante espaço dedicado à reflexão e ao debate de idéias, característica muito apreciada por seus visitantes.

Prova disso é o expressivo quórum do Salão de Idéias, onde escritores nacionais e estrangeiros de grande prestígio conversam com os leitores, revelam seus processos de criação, respondem às perguntas do público e expressam seus pontos de vista sobre os mais variados assuntos. Nesta edição participarão cerca de 110 autores.

A Bienal cumpre também um papel relevante dentro da cadeia produtiva e econômica do País. Para a realização do evento estão sendo investidos R$ 18 milhões, numa operação que envolve 1.200 profissionais de forma direta e outros 10.700 indiretamente. Além disso, a repercussão pública do evento intensifica a venda de livros em todos os canais de comercialização. E para estimular ainda mais a compra de livros, uma das novidades desta edição é que o valor do ingresso poderá ser convertido em descontos na compra de livros em muitos estandes dentro da Bienal.

A evolução da Bienal de 1970 para cá dá a medida de como o livro ganhou importância dentro do contexto nacional. Ainda que o Brasil continue apresentando índices abaixo do desejado em relação à educação e cultura, é incontestável que nas últimas décadas obtivemos avanços significativos no setor. Hoje, graças a diversos tipos de iniciativa em prol do livro, entre elas a realização das Bienais, o livro está mais acessível e, gradativamente, está sendo disponibilizado para todas as camadas da população. Com mais leitores, a sociedade torna-se mais participativa, justa e ciente de seus direitos e deveres, itens essenciais na construção de um país melhor.

Fonte: Câmara Brasileira do Livro

sábado, setembro 13, 2008

Abaixo o hábito de ler

Por Solange Pereira Pinto (escritora, professora e arte-educadora)


A escola da minha filha tem um programa de leitura chamado ciranda do livro. O objetivo é que cada criança pegue uma obra para ler no fim de semana e faça, na apostila encadernada em espiral, uma atividade pré-determinada (desenhar uma passagem, escolher um personagem favorito, ilustrar a idéia principal, fazer um breve resumo etc.).

Imagino que nem todos os alunos façam a tarefa de bom grado. No início a escola tentou uma competição: a criança que pegasse mais livros na biblioteca ganharia um prêmio ao término do período X. Minha filha logo chiou: “mamãe, assim não vale. Tá muito chata essa história de quem lê mais. Tem gente que só pega livrinho fininho e com muita figura pra ler rápido e pegar outro. Eu que escolhi pelo título, por que achei interessante a história, vou perder. O meu livro é muito mais grosso que os outros!”, choramingou.

Tinha ela razão. Vencer a competição era o objetivo das crianças sob o pretexto da escola de formar o hábito da leitura e quiçá cidadãos do futuro. Nesse meio tempo, crítica daqui, chororô acolá, ficou difícil para a professora lidar com a manobra “pedagógica”, deslindada pela pequena estudante.


O projeto competitivo saiu de cena e a apostila em espiral continuou seu trajeto, às sextas-feiras, mochila adentro; só que agora sem a pressão de se ser o primeiro lugar no ranking de “leituras lidas”. Algumas crianças ficaram aliviadas. Alguns pais também. Ufa!

Chegado o dia de mais uma escolha, minha menina, que se chama Ana (Luísa) optou por pegar um livro chamado Ana e Ana, segundo as palavras dela “achei pela capa que podia ser interessante”. E era. Aliás, é!

O livro de Célia Godoy, ilustrado divinamente por Fé, narra a história das gêmeas Ana Carolina e Ana Beatriz, que idênticas na aparência tentavam se distinguir por cores, roupas, adereços, ainda que “por dentro” fossem bem diferentes nos gostos e afinidades com o mundo. Cresceram e cada uma tomou um rumo, até que...

Até que eu parei para pensar se a leitura é um “hábito-ato” possível de se formar em alguém. Sendo professora há algum tempo e exatamente na área de produção de textos, leitura e interpretação, recordei das principais dificuldades e justificativas dos meus alunos quando perguntados sobre o tal, difundido, alardeado: hábito de ler!

Em geral, se apontam desconcentração, sono, preguiça, falta de exemplos familiares, ausência de livros em casa, dificuldade de entendimento, cansaço, visão embaralhada, e, principalmente, falta de tempo! Questionados sobre este último item, respondem: “ah, professora tem muita coisa melhor a fazer do que ler, como ver TV, praticar esportes, sexo, passear, navegar pela internet...”.

“– Mas céus! Vocês não gostam de ler nada?”, re-interrogo.
“– Também não é assim. A gente lê sobre o que gosta ou sobre o que precisa”.

Se tempo é uma questão de prioridade, e nele a gente ocupa primeiro o que dá prazer ou necessita, aonde entra o esforço pedagógico de formar o hábito de ler? Creio que na vala comum.

Diz o companheiro Houaiss que hábito é “maneira usual de ser, fazer, sentir, individual ou coletivamente; costume, regra, modo, maneira permanente ou freqüente, regular ou esperada de agir, sentir, comportar-se; mania”.

Ora, formar o hábito de ler para quê?

Em certa medida, quem tem uma formação escolar considerada razoável (sei lá o que isso significa) lê o que lhe atrai. Jornais, almanaques, cadernos de esporte, revistas semanais, publicações de fofocas etc, estão pelas esquinas e bem amassadas, indicando que mãos e olhos passaram por ali.

E daí?

Nada!

O hábito de ler, melhor formulando, a prática de ler não significa em essência nada. O costume de ler pode ser um desábito de adquirir conhecimento. Entrar no piloto automático da leitura não traz por si só transformação.

Se ler é um dos caminhos para se chegar ao conhecimento de determinado fenômeno, idéia, verdade, ler por ler é no máximo chegar à aquisição de dados brutos e informações superficiais, massificadas, deglutidas por seus autores para todos.

Hoje deveríamos por em pauta, conclamar, não o desgastado hábito de ler, mas sim o hábito de pensar, o hábito de querer saber, o hábito de ser curioso. Se os próprios considerados – pelos professores – não-leitores admitem ler o que lhes interessa, óbvio seria despertar antes a vontade de conhecer. Ler, por hábito, deveria deixar de ser regra de conduta apregoada pelas escolas. Transformar o pensamento e ampliá-lo por desejo, deveria ser a etiqueta.

Ler é mera conseqüência. A causa é querer sair do lugar-comum, voar sem tirar o pé do chão, pensar para existir... Meu hábito maior é “Ser” e por isso eu leio muito. Dessa forma, vou me desabituando de mim para me habituar às minhas releituras...

segunda-feira, janeiro 07, 2008

Astrócitos, glias e neurônios:

O dinâmica da interação e a aprendizagem humana

08/03/2007



A nossa capacidade de aprendizagem está baseada na dinâmica das interações e na ação do trabalho em equipe. É assim socialmente, também é assim neurologicamente.



Entretanto, no âmbito social o não reconhecimento dessa sistemática impede que o processo de aprendizagem humana seja pleno. Já no cérebro, os estudiosos conseguem perceber que os neurônios não são os únicos responsáveis por todo o poder de aprendizagem de cada um de nós: um conjunto muito maior de outros tipos de células, as glias e os astrócitos, contribuem significativamente para esse processo.



O que faz um grupo de pessoas tornar-se uma equipe? O pagamento de bons salários? As condições adequadas de trabalho? O desempenho especializado de cada um? São fatores importantes, mas não decisivos porque muitas equipes tornam-se vencedoras sem essas condições, movidos pela qualidade das relações humanas, pela realização pessoal, pelo reconhecimento e satisfação que o esforço proporciona. A conseqüência disso é que uma boa equipe passa a ser bem paga e obtém melhores condições após as conquistas. O que move as pessoas a buscarem objetivos comuns nem sempre é identificado objetivamente. Há os aspectos subjetivos, às vezes não claramente percebidos pela própria equipe.



Essa é a visão que os estudiosos das neurociências estão percebendo com relação ao cérebro humano. Durante muitas décadas definiu-se a função dos neurônios em sua rede de conexões sinápticas como responsáveis primordiais pela aprendizagem humana. Porém, os resultados das pesquisas recentes mostram o quanto os astrócitos são importantes para o pleno funcionamento dos neurônios.



Astrócitos são uma variedade de células de dois tipos, que ocupam a massa cinzenta e a massa branca do cérebro respectivamente, tornando-se responsáveis, em princípio, pelo preenchimento dos espaços entre os neurônios e regulando a concentração de substâncias que interferem nas funções neuronais, como, por exemplo, a concentração de potássio. Os astrócitos regulam os neurotransmissores e agora, apontam os estudos, percebe-se o quanto são capazes de ativar a maturação e a proliferação de células-tronco nervosas adultas, proporcionando ainda, através de seus fatores de crescimento, a regeneração de tecidos cerebrais ou espinhais danificados por traumas ou enfermidades.



Numa equipe, por exemplo, sabemos que as atitudes e as posturas de certos integrantes, alimentando o valor das relações, dissipando os desentendimentos, motivando sentimentos de superação de obstáculos agem como a força essencial para as conquistas – não apenas suas funções previamente determinadas têm papel importante. Em uma família unida o papel dos pais de manter a ordem e a disciplina para o crescimento é muito pouco diante do poder que tem a atitude deles em motivar os filhos a conquistarem mais do que eles mesmos conseguiram. A qualidade das posturas, das relações e dos exemplos são fatores fundamentais.



Mas, de que forma as glias e os astrócitos participam decisivamente sobre o processo de aprendizagem que o cérebro permite aos seus portadores? Ora, ambas são muito mais numerosas no cérebro que os neurônios. De um lado, as glias se comunicam com os neurônios e umas com as outras sobre as mensagens trocadas pelas células nervosas, e são capazes de modificar esses sinais nas fendas sinápticas, podendo influenciar o local de formação das sinapses que interligam os neurônios; de outro, os astrócitos controlam as sinalizações entre as sinapses de várias maneiras, fazendo com que o cérebro reveja suas respostas a estímulos a partir da experiência acumulada, influenciando a forma como se aprende.



Sabemos que, de um modo geral, nossa aprendizagem depende da capacidade de formação de conexões na rede neuronal. Ao experimentarmos atividades novas, essas conexões se ampliam e formam redes de interação no conjunto de 100 bilhões neurônios constituintes do cérebro. Mas não bastam apenas que novas conexões se formem: a força da aprendizagem está na qualidade dessas interações, interferindo no modo como vemos e revemos e reutilizamos o que se passa a nossa volta.



O nosso crescimento e a nossa realização pessoal e profissional depende da qualidade das nossas relações: um professor nos traz conhecimentos, mas um professor motivador nos proporciona, pelo exemplo e pelas atitudes, o desejo de nos tornarmos tão bons quanto ele. Essa força não está na função mais visível do professor, e sim, na pessoa humana que proporciona o bem comum. Por isso, somente quando percebermos inteiramente e alcançarmos a força e a dinâmica de uma equipe por essas ações subjetiva de cada um, a exemplo dos humildes astrócitos, alcançaremos um sistema de aprendizagem pleno a excelência humana.





Cérebro, mentiras e criatividade

04/02/2007



Mentir exige muito mais esforço do cérebro humano do que falar a verdade, mas, fazer de conta que está mentindo requer o exercício intenso da criatividade. Quando mentimos, nosso esforço para inventar elementos, fatos ou personagens que não existem e encobrir a verdade aciona 14 partes diferentes do cérebro, o que não ocorre quando simplesmente dizemos o que realmente aconteceu, envolvendo uma operação que aciona apenas 7 partes diferentes da nossa massa encefálica.



O resultado dessa constatação feita por cientistas da Universidade de Temple, na Filadélfia,nos permite compreender melhor a segunda afirmação acima: criar e usar metáforas é o exercício de criação de situações e eventos que, mesmo não sendo reais, são verdadeiros – as parábolas ou as analogias para representar fenômeno científico são bons exemplos.



Ambos os aspectos têm base em estudos de reconhecido valor científico e permitem compreender como podemos tirar maior proveito da capacidade do nosso cérebro em tornar a si mesmo cada vez mais eficiente no desenvolvimento da criatividade.



A notícia de que mentir requer maior envolvimento cerebral foi dada por cientistas do Centro da Imagem Funcional do Cérebro da Universidade de Temple após uma experiência com onze voluntários e utilização de equipamentos de ressonância magnética funcional. O experimento funcionou da seguinte maneira: seis desses voluntários participaram de sessões de tiro com balas de festim, mas todos os onze tiveram que garantir que tinham participado da prática com as armas. Nesse caso, cinco estavam mentindo.



A ressonância pode demonstrar inúmeras vezes que os mentirosos precisavam acionar o dobro das partes de seus cérebros para inventar uma situação na qual se acreditasse em suas afirmações, contra as sete partes manifestadas pelos cérebros dos que realmente relatavam os fatos verdadeiros.



Essa relação entre capacidade inventiva e comportamento padrão com demonstração da criatividade em situações de mentira já havia sido apontada por um dos mais importantes pesquisadores da área, Paul Torrance, ainda nos anos 60 e relatadas em sua obra sobre criatividade. Torrance desenvolveu inúmeros testes de avaliação e estímulo da criatividade a partir de observações junto a jovens estudantes. Uma dessas observações envolveu uma fraude: um universitário estava sendo expulso da universidade porque havia fraudado um exame importante. Ao tomar conhecimento e analisar o fato, Torrance ficou admirado com a capacidade inventiva do jovem para enganar o processo e questionou: se esse estudante é tão criativo para desenvolver tal façanha porque a universidade não havia sido capaz de aproveitar tanto talento?



Sobre o universitário sabemos apenas que não escapou às suas responsabilidade e foi punido, mas passamos a compreender melhor como o ensino em universidades tradicionais estimulavam tão somente o pensamento racional em detrimento da criatividade. E essa constatação permitiu a Torrance a concepção de novas posturas para criação de propostas de ensino mais satisfatórias ao desenvolvimento tanto da racionalidade quanto da criatividade.



Podemos então compreender como, de fato, as atividades de criação de metáforas – o fazer de conta que se está mentindo, é de fundamental importância para o desenvolvimento da criatividade em diversas áreas. Esse recurso da linguagem e da retórica é encontrado nos discursos religiosos com as parábolas; no discurso publicitário em anúncios que nos preenchem as fantasias e os sonhos; no discurso jornalístico em diversas práticas como no jornalismo científico em que são necessárias analogias para compreensão de fenômenos que estão longe da percepção humana etc.



Não por acaso Richard Wilhelm demonstrou em sua obra A psicanálise dos contos de fadas a importância dessas narrativas metafóricas para a formação da psique da criança. Não menos por acaso Fritjof Capra, citado em artigos anteriores dessa seção, afirmou a significativa descoberta de que o pensamento humano é essencialmente metafórico.



Portanto, como conviver com a mentira e a verdade deve ser uma postura educacional que precisa ir além da ética como fundamento da cidadania; pelo exercício pleno da criação literária, pelo estimulo à imaginação tão exaltada pelo físico Alberto Einstein como instrumento de descobertas, pode-se estimular um exercício muito mais pleno do cérebro humano.

http://www.insite.pro.br/Artigos%20da%20Semana%202007.htm

empatia e senso crítico

Empatia é, Segundo Hoffman (1981), a resposta afetiva vicária a outras pessoas, ou seja, uma resposta afetiva apropriada à situação de outra pessoa, e não à própria situação.

Pesquisas indicam que a empatia tem uma resposta humana universal, comprovada fisiologicamente. Dessa forma a empatia pode ser tomada como causa do comportamento altruísta, uma vez que predispõe o indivíduo a tomar atitudes altruístas.

Bases fisiológicas da empatia
Mac Lean sugere que o sistema límbico, uma das partes mais antigas do nosso cérebro, e suas conexões com o córtex pré-frontal estariam envolvidas na empatia. Eles proporcionariam aos homens a capacidade de se colocar no lugar dos outros. Dessa forma, uma empatia primitiva estaria presente desde cedo na evolução humana, e com a aquisição de novas estruturas cerebrais e circuitos neurais adicionou-se a essa empatia uma forma de cognição, de tal forma que pôde ser experienciada em conjunto com uma consciência social mais desenvolvida.

Estudos de neuro-imagem sugerem que regiões associadas com emoções específicas podem ser ativadas pela visão da expressão facial da mesma emoção, fenômeno descrito como contágio emocional (Decety, 2003; Carr, 2003, Wicker et al, 2003 apud Singer et al, 2004). Em um estudo comparou-se a atividade cerebral na imitação de expressões faciais e na observação das mesmas em fotos, em outro se comparou respostas neurais eliciadas pela visão de faces com expressões de desgosto e prazer com respostas induzidas por odores prazerosos ou aversivos. Essas experiências mostraram ativação em áreas relacionadas com a percepção e produção de expressões faciais de emoção (sistemas emocionais e faciais), assim como na aspiração de odores desagradáveis (ativação da insula).

Singer et al (2004), comprovaram que, de fato, a experiência empática tem bases neuronais, através de uso imagens da atividade cerebral,obtidas por ressonância magnética. As experiências nas quais voluntárias recebiam uma estimulação de dor na mão e da comparação desses resultados com aqueles obtidos nas mesmas voluntárias quando seus esposos recebiam o estímulo doloroso, no mesmo aposento.

Observou-se que as regiões cerebrais que sinalizam a sensação subjetiva de dor (a aflição dolorosa) – o córtex insular anterior e o córtex cingulado anterior, por exemplo – aumentavam sua atividade no cérebro das esposas como se o choque tivesse sido aplicado à mão delas mesmas. Já regiões como o córtex insular posterior, que sinaliza a dor física, ‘objetiva’, só eram acionadas quando elas realmente recebiam o estímulo de dor.

Conclui então que a atividade neural da estimulação empática não corresponde toda o sistema de dor, relaciona-se apenas com os componentes emocionais da ativação neural da dor, não se observando estimulação nos componentes sensoriais.


Sistema límbico
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Na superfície medial do cérebro dos mamíferos, o sistema límbico é a unidade responsável pelas emoções.

Constitui-se de uma região constituída de neurônios, células que formam uma massa cinzenta denominada de lobo límbico.

Através do sistema nervoso autônomo, ele comanda certos comportamentos necessários à sobrevivência de todos os mamíferos, interferindo positiva ou negativamente no funcionamento visceral e na regulação metabólica de todo o organismo
Sistema nervoso autônomo
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Sistema nervoso autônomo é a parte do Sistema nervoso que está relacionada ao controle da vida vegetativa, ou seja, controla funções como a respiração, circulação do sangue, controle de temperatura e digestão. No entanto, ele não se restringem a isso. Ele é o principal responsável pelo controle automático do corpo frente às diversidades do ambiente. Por exemplo, quando você entra em uma sala com um ar-condicionado que lhe dá frio, o sistema nervoso autônomo começa a agir tentando impedir um queda de temperatura corporal. Dessa maneira, seus pêlos se arrepiam (devido a contração do músculo pilo-eretor) e começa a tremer para gerar calor. Ao mesmo tempo ocorre vasoconstrição nas extremidades para impedir a dissipação deste para o meio. Essas medidas aliadas a sensação desagradável de frio, foram as principais responsáveis pela sobrevivência de espécies em condições que deveriam impedir o funcionamento de um organismo. Dessa maneira, pode-se perceber que o organismo realmente possui um mecanismo que permite ajustes corporais mantendo assim o equilíbrio do corpo, também chamado homeostasia.

O sistema nervoso autônomo ajuda muito nesse controle porque é o responsável pelas respostas reflexas de natureza automática e controla a musculatura lisa, a musculatura cardíaca e as glândulas exócrinas. Dessa maneira é ele quem permite o aumento da pressão arterial, aumento da freqüência respiratória, os movimentos peristálticos, a excreção de determinadas substância entre outras coisas.

Apesar de se chamar sistema nervoso autônomo ele não é independente do restante do sistema nervoso. Na verdade, ele é interligado com o hipotálamo, que coordena a resposta comportamental para garantir a homeostasia.

Sabe-se que o sistema nervoso autônomo é constituído por um conjunto de neurônios que se encontram na medula e no tronco encefálico. Estes, através de gânglios periféricos, coordenam a atividade da musculatura lisa, da musculatura cardíaca e de inúmeras glândulas exócrinas. Mas como o SNA percebe que deve aumentar a pressão arterial, por exemplo?

Na verdade, não existe um consenso em relação a isso, muitos acreditam que existem componentes específicos do sistema nervoso autônomo responsáveis apenas pela percepção de parâmetros físico-químicos, como pressão, pH, tensão, temperatura, etc. Outro grupo acredita que os sistemas sensoriais, principalmente o somestésico, são os responsáveis pela percepção dessas condições no organismo, e que posteriormente, através do sistema nervoso central essa informação é repassada ao sistema nervoso autônomo que irá agir para o controle do equilíbrio corporal.


[editar] Principais diferenças entre o Sistema Nervoso Simpático e o Parassimpático
O SNA divide-se em sistema nervoso simpático e sistema nervoso parassimpático que são constituídos basicamente por uma via motora com dois neurônios, sendo um pré-ganglionar (cujo corpo se encontra no sistema nervoso central), e outro pós-ganglionar (cujo corpo se encontra em gânglios autonômicos).

No sistema simpático, logo depois que o nervo espinhal deixa o canal espinal, as fibras pré-ganglionares abandonam o nervo, e passam para um dos gânglios da cadeia simpática onde fará sinapse com um neurônio pós ganglionar. No sistema parassimpático, na maioria das vezes, as fibras pré-ganglionares normalmente seguem, sem interrupção, até o órgão que será controlado fazendo então sinapse com os neurônios pós-ganglionares. Dessa maneira percebe-se que os neurônios pré-ganglionares do simpático são curtos e os pós são longos, no parassimpático ocorre o inverso. Já o sistema nervoso entérico apresenta seus corpos celulares na parede do trato gastrointestinal.

Os neurônios pré-ganglionares do sistema simpático emergem dos segmentos tóraco-lombares (da região do peito e logo abaixo), ao passo que os do sistema parassimpático emergem dos segmentos céfalo-sacrais (da região da cabeça e logo acima dos glúteos).

Uma importante característica da inervação dos músculos pelo sistema nervoso autônomo é que, ao contrário da inervação somática que apresenta regiões pré e pós sinápticas especializadas, suas terminações nervosas apresentam varicosidades onde o neurotransmissor vai se acumulando através de vesículas. Dessa maneira, a transmissão de sinais ocorre em vários pontos através de terminais axoniais, e posteriormente se difunde no tecido. Essa estratégia é bem diferente da empregada no sistema autônomo que se baseia na relação ponto-a-ponto. Isso garante que um número menor de fibras nervosas seja capaz de regular de maneira eficiente órgãos e glândulas.

Normalmente as fibras nervosas dos sistemas simpáticos e parassimpáticos secretam principalmente dois principais neurotransmissores: noradrenalina ou acetilcolina. As fibras que secretam noradrenalina ativam receptores adrenérgicos, e as que secretam acetilcolina ativam receptores colinérgicos.

Ao contrário do que se pode imaginar, não existe uma regra muito precisa de qual das duas substâncias determinado sistema emprega, no entanto pode-se fazer algumas generalizações para melhor compreensão. Podemos assim afirmar que todos os neurônios pré-ganglionares, sejam eles simpáticos ou parassimpáticos, são colinérgicos. Consequentemente, ao se aplicar acetilcolina nos gânglios, os neurônios pós-ganglionares de ambos os sistemas serão ativados.

Em relação aos neurônios pós ganglionares do sistema simpático, em sua maioria, eles liberam noradrenalina a qual excita algumas células mas inibe outras. No entanto, alguns neurônios pós ganglionares simpáticos, são colinérgicos, como por exemplo, as que enervam a maioria das células sudoríparas. Outro exemplo são os que enervam alguns vasos que irrigam tecido muscular.
António Damásio

Neurologista nascido em Portugal e radicado nos E.U.A., estuda e escreve sobre a relação entre emoção e cognição, e a consciência.

Link

http://www.uiowa.edu/~interdis/damasio.htm

"As emoções e os pensamentos, que são centrais para a visão de racionalidade que estou propondo, são uma poderosa manifestação dos impulsos e dos instintos, constituindo uma parte essencial da sua atividade."

Damásio, 1996, p.143

"A regulação biológica relacionada com o tronco cerebral e o hipotálamo (cujos circuitos 'mantem' os padrões neurais inatos que se afiguram mais críticos para a sobrevivência) é complementada por controles no sistema límbico. Não cabe discutir aqui a complicada anatomia e o funcionamento pormenorizado desse setor relativamente grande, mas cabe salientar que o sistema límbico participa também no estabelecimento de impulsos e instintos e tem uma função especialmente importante nas emoções e sentimentos."

grifo do autor, idem, p.146

"Com efeito, os sentimentos parecem depender de um delicado sistema de múltiplos componentes que é indissociável da regulação biológica; e a razão parece, na verdade, depender de sistemas cerebrais específicos, alguns dos quais processam sentimentos. Assim, pode existir um elo de ligação, em termos anatômicos e funcionais, entre razão e sentimentos e entre esses e o corpo. É como se estivéssemos possuídos por uma paixão pela razão, um impulso que tem origem no cerne do cérebro, atravessa outros níveis do sistema nervoso e, finalmente, emerge quer como sentimento quer como predisposições não conscientes que orientam a tomada de decisão. A razão, da prática à teórica, baseia-se provavelmente nesse impulso natural por meio de um processo que faz lembrar o domínio de uma técnica e de uma arte. Retire-se o impulso, e não é mais possível alcançar essa perícia. Mas o fato de se possuir esse impulso não faz de nós, automaticamente, peritos."

idem, p.276

"É esse o erro de Descartes: a separação abissal entre o corpo e a mente, entre a substância corporal, infinitamente divisível, com volume, com dimensões e com um funcionamento mecânico, de um lado, e a substância mental, indivisível, sem volume, sem dimensão e intangível, de outro; a sugestão de que o raciocínio, o juízo moral e o sofrimento adveniente da dor física ou agitação mental poderiam existir independentemente do corpo. Especificamente: a separação das operações mais refinadas da mente, e da estrutura e funcionamento do organismo biológico, para o outro."

idem, p. 280

"A dor e o prazer são as alavancas de que o organismo necessita para que as estratégias instintivas e adquiridas atuem com eficácia. Muito provavelmente, foram também esses os instrumentos que controlaram o desenvolvimento das estratégias sociais de tomada de decisão. Quando muitos indivíduos, em grupos sociais, experienciaram as consequências dolorosas de fenômenos psicológicos, sociais e naturais, tornou-se possível o desenvolvimento de estratégias culturais e intelectuais para fazer face à experiência de dor e conseguir reduzi-la.

A dor e o prazer ocorrem quando nos tornamos conscientes dos perfis do estado do corpo que se afastam nitidamente do intervalo de variação de nossos sentimentos de fundo. A configuração dos estímulos e dos padrões de atividade cerebral percebidos como dor ou prazer são estabelecidos a priori na estrutura cerebral. Eles ocorrem porque os circuitos são ativados de um determinado modo e são instruídos geneticamente para se constituirem de um determinado modo. Embora nossas reações à dor e ao prazer possam ser alteradas pela educação, constituem um excelente exemplo de fenômenos mentais que dependem da ativação de disposições inatas."

idem, p.294

"Se a dor constitui a alavanca para o desenvolvimento apropriado dos impulsos e dos instintos e para o desenvolvimento de estratégias eficazes de tomada de decisão, conclui-se que alterações na percepção da dor devam ser acompanhadas de problemas de comportamento. Parece ser isto exatamente o que acontece. Os indivíduos afetados por uma estranha doença conhecida por ausência congênita de dor não adquirem estratégias normais de comportamento. Alguns deles passam o tempo rindo, apesar de a doença os levar a destruir as articulações (privados de dor, movimentam as articulações muito além dos limites mecânicos permissíveis, rompendo assim os ligamentos e as cápsulas das articulações), a queimaduras graves, a golpes (não retiram a mão de uma chapa quente ou de uma lâmina que lhes rasga a pele). Visto conseguirem ainda sentir prazer, podendo assim ser influenciados por sensações positivas, é notável que seu comportamento seja tão deficiente. Mas mais fascinante ainda é a hipótese de esses mecanismos de alavanca participarem não só no desenvolvimento mas também no melhoramento das estratégias de tomada de decisão."

idem, p.298

"A dor e o prazer não são imagens gêmeas ou simétricas uma da outra, pelo menos não o são em termos de suas funções no apoio à sobrevivência. De certa forma, e a maior parte das vezes, é a informação associada à dor que nos desvia do perigo iminente, tanto no momento presente como no futuro antecipado. É difícil imaginar que os indivíduos e as sociedades que se regem pela busca do prazer, tanto ou mais ainda do que pela fuga à dor, consigam sobreviver."

idem, p.299

"O sofrimento proporciona a melhor proteção para a sobrevivência, uma vez que aumenta a probabilidade de darmos atenção aos sinais de dor e agirmos no sentido de evitar sua origem ou corrigir suas consequências."

idem, p.298

"As representações dispositivas constituem o nosso depósito integral de saber e incluem tanto o conhecimento inato como o adquirido por meio da experiência. O conhecimento inato baseia-se em representações dispositivas existentes no hipotálamo, no tronco cerebral e no sistema límbico. Podemos concebê-lo como comandos da regulação biológica necessários para a sobrevivência (isto, é, o controle do metabolismo, impulsos e instintos). Eles controlam muitos processos, mas de um modo geral, não se transformam em imagens na mente.(...)

O conhecimento adquirido baseia-se em representações dispositivas existentes tanto nos córtices de alto nível como ao longo de muitos núcleos de massa cinzenta localizados abaixo do nível do córtex. Algumas dessas representações dispositivas contêm registros sobre o conhecimento imagético que podemos evocar e que é utilizado para o movimento, o raciocínio, o planejamento e a criatividade; e outras contêm registros de regras e de estratégias com as quais manipulamos essas imagens. A aquisição de conhecimento novo é conseguida pela modificação contínua dessas representações dispositivas."

idem, p.132/133

"O principal papel das estruturas desses setores é o de regular os processos vitais básicos sem recorrer à mente e à razão. O padrões inatos* da atividade dos neurônios nesses circuitos não geram imagens (embora as consequências da sua atividade possam ser imagéticas); eles regulam mecanismos homeostáticos sem os quais não existe sobreviência.

*Observe-se que quando uso a palavra inato (literalmente presente no nascimento) não estou excluindo a existência de um papel para o ambiente e para a aprendizagem na determinação de uma dada estrutura ou padrão de atividade."

idem, p.137

"Ao nascer, o cérebro humano inicia seu desenvolvimento dotado de impulsos e instintos que incluem não apenas um kit fisiológico para a regulação do metabolismo, mas também dispositivos básicos para fazer face ao conhecimento e ao comportamento social. Ao terminar o desenvolvimento infantil, o cérebro encontra-se dotado de níveis adicionais de estratégias para a sobrevivência. A base neurofisiológica dessas estratégias adquiridas encontra-se entrelaçada com a do repertório instintivo, e não só modifica seu uso como amplia seu alcance. Os mecanismos neurais que sustentam o repertório suprainstintivo podem assemelhar-se, na sua concepção formal geral, aos que regem os impulsos biológicos e ser também restringidos por esses últimos. No entanto, requerem a intervenção da sociedade para se tornarem aquilo em que se tornam, e então por isso relacionados tanto com uma determinada cultura como com a neurobiologia geral."

idem, p.154/155

"Assim, à medida que progredimos da infância para a idade adulta, o design dos circuitos cerebrais que representam nosso corpo em evolução e sua interação com o mundo parece depender tanto das atividades em que o organismo se empenha como da ação de circuitos biorreguladores inatos, à medida que os últimos reagem a tais atividades. Essa abordagem sublinha a inadequação de conceber cérebro, comportamento e mente em termos de natureza versus educação, ou de genes versus experiência. Nossos cérebros e nossas mentes não são tabulae rasae quando nascemos. Contudo, também não são, na sua totalidade, geneticamente determinados. A sombra genética tem um grande alcance mas não é completa. Os genes proporcionam a um dado componente cerebral sua estrutura precisa e a outro componente uma estrutura que está para ser determinada. No entanto, a estrutura a ser determinada só pode ser obtida sob a influência de três elementos: 1)a estrutura exata; 2)a atividade individual e as circunstâncias (nas quais a palavra final cabe ao meio ambiente humano e físico, assim como ao acaso); e 3)as pressões de auto-organização que emergem da extraordinária complexidade do sistema. O perfil imprevisível das experiências de cada indivíduo tem realmente uma palavra a acrescentar ao design dos circuitos, tanto direta como indiretamente, pela reação que desencadeia nos circuitos inatos e pelas consequências que tais reações têm no processo global de modelação de circuitos."

grifo do autor, idem, p.139/140

"Julgo que esses depósitos de fatos e estratégias para manipulação é armazenado, em estado de dormência e em suspenso, sob a forma de "representações disposicionais" ("disposições", para abreviar) nos setores cerebrais intermediários."

idem, p.120

"Repare que você nunca teria formado uma representação dispositiva se, em primeiro lugar, não tivesse construído uma representação perceptiva topograficamente cartografada: não parece existir nenhuma via anatômica de introduzir informação sensorial complexa no córtex de associação, que sustenta as representações dispositivas, sem utilizar primeiro os córtices sensoriais iniciais."

idem, p.135

"Diz-se frequentemente que o pensamento não é feito apenas de imagens, que é constituído também por palavras e por símbolos abstratos não imagéticos. Ninguém negará certamente que o pensamento inclui palavras e símbolos arbitrários. Mas essa afirmação não dá conta do fato de tanto as palavras como outros símbolos serem baseados em representações topograficamente organizadas e serem, eles próprios, imagens. A maioria das palavras que utilizamos na nossa fala interior, antes de dizermos ou escrevermos uma frase, existe sob a forma de imagens auditivas ou visuais na nossa consciência. Se não se tornassem impulsos, por mais passageiras que fossem, não seriam nada que pudéssemos saber. Isso é verdade até mesmo para aquelas representações topograficamente organizadas que não são tomadas com atenção pela consciência, mas que são ativadas de forma oculta. Sabemos, por experiências de priming, que, embora essas representações sejam processadas em segredo absoluto, podem influenciar o curso do pensamento e até irromper na consciência um pouco mais tarde. (Priming consiste em ativar uma representação de forma incompleta ou então ativá-la mas não lhe dar atenção.)"

idem, p.134

"Em outras palavras, as imagens sobre as quais nós raciocinamos (imagens de objetos específicos, ações e esquemas relacionais; imagens de palavras que ajudam a traduzir tudo isso sob a forma de linguagem) não só devem estar "em foco" - algo que é obtido pela atenção - como também devem ser "mantidas ativas na mente" -algo que é realizado pela memória de trabalho em alto nível."

idem, p.110

"Essas diversas imagens-perceptivas, evocadas a partir do passado real e evocadas a partir de planos para o futuro - são construções do cérebro. Tudo que se pode saber ao certo é que são reais para nós próprios e que há outros seres que constróem imagens do mesmo tipo. (...)Não sabemos, e é improvável que alguma vez venhamos a saber, o que é a realidade "absoluta".

Como conseguimos criar essas maravilhosas construções? Elas parecem engendradas por uma maquinaria neural complexa de percepção, memória e raciocínio. A construção é por vezes regulada pelo mundo exterior ao cérebro, isto é, pelo mundo que está dentro de nosso corpo ou em torno dele, com uma pequena ajuda da memória do passado. É isso que se passa quando geramos imagens perceptivas. Outras vezes, a construção é inteiramente dirigida pelo interior do cérebro, pelo nosso doce e silencioso processo de pensamento, de cima para baixo. É o que se passa, por exemplo, quando evocamos a melodia favorita ou recordamos cenas visuais com os olhos fechados, quer sejam uma reposição de um acontecimento real ou fruto de nossa imaginação."

idem, p.124

"À medida que o cérebro vai incorporando representações dispositivas de interações com entidades e situações relevantes para a regulação inata, ele aumenta a probabilidade de abranger entidades e situações que podem ou não ser diretamente relevantes para a sobrevivência. E, quando isso sucede, nosso crescente sentido daquilo que o mundo exterior possa ser é apreendido como uma modificação no espaço neural em que o corpo e o cérebro interagem."

idem, p.146

"Se, por um lado, existe uma realidade externa, por outro, o que dela sabemos chegar-nos-ia pela intervenção do próprio corpo em ação por meio das representações de suas perturbações. Nunca saberemos quão fiel é o nosso conhecimento em relação à realidade "absoluta"."

idem, p.266

"Todos possuimos provas concretas de que sempre que recordamos um dado objeto, um rosto ou uma cena, não obtemos uma reprodução exata, mas antes uma interpretação, uma nova versão reconstruída do original. Mais ainda, à medida que a idade e experiência se modificam, as versões da mesma coisa evoluem.(...)

Uma das tentativas de resposta a esse problema sugere que as imagens mentais são construções momentâneas, tentativas de réplica, de padrões que já foram experienciados, nas quais a probabilidade de se obter uma réplica exata é baixa, mas a de ocorrer uma reprodução substancial pode ser alta ou baixa, dependendo das circunstâncias em que as imagens foram assimiladas e estão sendo lembradas."

grifo do autor, idem, p.128

"Escondidos atrás dessas imagens, raramente ou nunca chegando ao nosso conhecimento, existem de fato numerosos mecanismos que orientam a geração e o desenvolvimento de imagens no espaço e no tempo. Esses mecanismos utilizam regras e estratégias incorporadas em representações dispositivas. Eles são essenciais para o nosso pensar, mas não constituem o conteúdo dos pensamentos."

grifo do autor, idem, p.136

"Para nós, portanto, no princípio foi a existência e só mais tarde chegou o pensamento. E para nós, no presente, quando vimos ao mundo e nos desenvolvemos, começamos ainda por existir e só mais tarde pensamos. Existimos e depois pensamos e só pensamos na medida em que existimos, visto o pensamento ser, na verdade, causado por estruturas e operações do ser."

idem, p.279

"Não quero com isso dizer que a neurobiologia possa salvar o mundo, mas apenas que o aumento gradual de conhecimentos sobre os seres humanos pode nos ajudar a encontrar melhores formas de gerir as coisas humanas. Há algum tempo que os seres humanos atravessam uma nova fase evolutiva em termos intelectuais, na qual suas mentes e cérebros tanto podem ser escravos como donos de seus corpos e das sociedades que constituem."

idem, p.286

quarta-feira, junho 14, 2006

Paus e pedras invisíveis


Brasília, em meio ao caos, 7 de junho de 2006.

O quebra-quebra no Congresso Nacional, que aconteceu ontem em Brasília, merece reflexão. Se o protesto chegou ao chamado vandalismo, algo há por baixo do tapete. Qual é a sujeira que se esconde?

Independente de concordar ou não com o Movimento de Libertação dos Sem Terra, responsável pelo evento, independente de concordar ou não com vandalismo, ou, ainda, se a causa é justa, tentemos interpretar o discurso que reina neste país.

Afirma-se que os líderes do movimento utilizaram táticas de guerrilha e planejaram com antecedência a invasão à Câmara dos Deputados. Questiono: por acaso a corrupção, o mensalão e a sujeirada toda do colarinho branco não são atos planejados? Não são baseados em estratégia de qual fundo roubar, qual verba desfalcar, qual momento desviar, qual conta depositar?

Se vandalismo é o ato ou efeito de produzir estrago ou destruição de monumentos ou quaisquer bens públicos ou particulares, de atacar coisas belas ou valiosas, com o propósito de arruiná-las, o que dizer do dinheiro público? Não é bem? Então, por analogia, muitos deputados e senadores são vândalos!

Existem os vândalos que mostram a cara e os que não mostram. Questiono, também, se vídeos veiculados na mídia, ou mesmo aqueles apreendidos de “coleções” particulares, servem para incriminar e punir pessoas comuns, por que não servem para parlamentares, juízes e afins?

Dizem também que, na pancadaria concreta de pedras e paus, houve sangue, ferimentos, traumatismo craniano, talvez até morte. Na pancadaria invisível da corrupção há morte de milhões de brasileiros com fome, sem saúde pública, sem educação. Dos paus e pedras invisíveis crianças são mortas diariamente. De ordem de vândalos engravatados há a morte de prefeitos, juízes e outros que “sabem demais”.

Mas dirão que não é luta armada, guerrilha. Sim, não é. As armas são outras. Cada batalha tem seus instrumentos específicos. É claro que a violência explícita chama à atenção, incomoda e amedronta. Mas a violência silenciosa, não seria tão ou mais perniciosa?

Se, hoje, o povo tem medo dos parlamentares corruptos e dos inatuantes, por que esses não temem o povo? Talvez se a pancadaria tivesse alcançado o objetivo de adentrar no “salão de baile”, no parlatório, que vive adiando votações e cujos “representantes do povo” usam os microfones para discursarem para seus pares, num jogo e troca de figurinhas, como se não tivessem mais o que fazer, eles tivessem medo da democracia.

É engraçado ouvir o que diziam os deputados e senadores no plenário enquanto o “pau comia” do lado de fora. A frase “atentado à democracia” foi diversas vezes repetida. Se houvesse realmente esse propalado sistema político cujas ações atendem aos interesses populares, não haveria motivo para entrada forçada na casa do povo.

No fim das contas nos resta saber quem quebra mais, quais prejuízos são maiores neste país continental de latifundiários e sem-terra. Um alerta: tome cuidado com as pedras e os paus invisíveis que podem acertar a sua cabeça a qualquer momento, ainda que você não sinta a dor exatamente na hora em que a pancada acontece. Mas, que o quebra-quebra de ontem foi quase uma catarse nacional, isso foi.

terça-feira, junho 13, 2006

Senso Crítico III

"Entretanto, a concepção de educação, predominante, visa moldá-la exclusivamente para a produção, isto é, age como formadora de mão-de-obra "qualificada". A classe dominante vê a educação e a cultura, portanto, como uma questão de mercado. É possível desenvolver o senso crítico sob o império da filosofia do progresso?"



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Senso Crítico II

"A capacidade de discernir e julgar, transcendendo o senso comum. O senso crítico exige atitude de estudo, para que exerça sobre e a partir de uma realidade e de um conhecimento efetivamente existente. Para esta compreensão, a ciência resulta da reflexão, e a reflexão será livre e criativa.

A crítica que nasce do conhecimento e da reflexão será uma crítica produtiva, que pensa a saída, que gera o projeto, que busca as soluções. Não se quer gerar comportamentos estereotipados de críticas, de oposição por mera oposição.

O fortalecimento da liberdade consiste em formar indivíduos capazes de autonomia em todos os sentidos e respeitar essa autonomia em outrem, em decorrência precisamente da regra de reciprocidade e resposta que a torna legítima para eles mesmos. Daí a vinculação da liberdade com a responsabilidade. É preciso ter liberdade para assumir compromissos ou não.

O tomar decisões por sua própria conta, sem deixar-se governar por outrem, não quer dizer ausência de compromisso social, ao contrário: quanto maior a liberdade, maior a responsabilidade real. Liberdade de opção não autoriza a omitir-se da participação no grupo".




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INICIATIVA



"Implica passagem do desejo a intenções conscientes e dessas intenções a propósitos concretos, desenvolvendo as habilidades de autodireção, ação dirigida pelo pensamento, autocrítica e persistência".

PARTICIPAÇÃO

"Tomar, fazer e ter parte nas mais diversas manifestações que, direta ou indiretamente, afetam o indivíduo e o grupo. Entendemos que a participação envolve:

- A capacidade de o homem conviver, convencer, negociar, sobreviver, conceder, independendo de uma participação na política institucionalizada. Constitui-se em direito social e dever do homem como ser histórico.

- E o aprendizado a por a responsabilidade e a disponibilidade individual a serviço do desenvolvimento grupal, proporcionando a co-responsabilidade".

"Era comum, no passado, que as narrativas culminassem com o individualismo através de seus super-heróis. Hoje se tem a necessidade de se substituir o individualismo pela ação de grupos, lutando-se por causas comuns que beneficiem um grupo social maior. O homem agora se descobre ser de direitos, dando um basta ao autoritarismo e à submissão. Desmistificando verdades únicas, atingindo o ideal de uma minoria, pensando-se agora na realização integral de uma grande maioria, desperta o indivíduo para lutar por seus próprios ideais, mas não de forma egocêntrica, voltada ao meu “eu”, mas voltada a uma necessidade de grupo: família, escola, sociedade".

"O leitor precisa estabelecer um diálogo com o texto e dele tirar proveito, já que em muitos textos estão prostrados os valores tradicionais, a submissão, a discriminação como forma de manipular idéias, exemplificadas em narrativas como “Maria vai com as outras” de Sílvia Orthof".

"O indivíduo deve ser capaz de refletir sobre o escrito, permitido-se fazer uma relação entre o real, o ideal e a fantasia, tirando suas próprias conclusões, criando novos conceitos de ver e sentir a realidade".

segunda-feira, junho 12, 2006

Links sobre Senso Crítico e Notas Escolares

Alôoooooooooo turma,

Para os alunos que ainda não conseguiram ACHAR os links no meu blog, está aí uma ajudinha!

Estudem!!!!!

bjs

Senso crítico

Notas escolares

ABNT e monografias



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sábado, maio 27, 2006

Minha carta de amor ao povo brasileiro


22 de maio de 2006.

Prezada nação brasileira,

É com muito orgulho que venho me solidarizar com todos vocês, ou melhor, nós. Eu apóio irrestritamente a corrupção que assola nosso país. Sou adepto do mensalão e acredito que um governo só pode sobreviver em condições de manipulação, cretinice, arranjos e golpes variados. Admiro também a pobreza, a fome, e quanto mais pobres existirem melhor para um Estado. Quero, assim como todos os brasileiros, ver os pobres cada vez mais miseráveis e lascados e os ricos cada vez mais afortunados e individualistas. Apoio 100% o capitalismo, os juros altos, o lucro dos bancos, a venda das estatais, o golpe da Bolívia, o aumento do desemprego. Apóio, ainda, os privilégios que os bandidos têm, as superpopulações carcerárias, a corrupção policial, a venda ilegal de armas, a entrada de drogas e armas nos presídios, bem como de celulares e o que mais for necessário para uma ampla comunicação dos presidiários. Apoio 100% o PCC e o aumento geral da violência. Apóio a pirataria, a mão-de-obra escrava, o trabalho infantil e o tráfico de tudo. Desejo ver, também, o aumento vertiginal das contas públicas, o aumento do salário dos parlamentares. Isso é uma delícia! Quero que se amplie o número de partidos políticos. Em relação aos movimentos sociais, sou contra. Apóio a preservação e ampliação dos latifúndios improdutivos, e quem não tem terra que se dane, devia nascer de novo. No sertão, acho que a seca deve continuar e matar um pouco mais de gente. Ah, sou favorável às enchentes nas grandes cidades, destruindo cada vez mais barracos, pois apóio fundamentalmente o descaso dos governos e as péssimas condições urbanas. Apóio o roubo nas obras públicas, os buracos nas estradas, os acidentes de carro, e a realização de edificações de terceira categoria vindas de licitações. Apóio as cartas marcadas e o desvio de recursos públicos. Antes que eu me esqueça, sou a favor do aumento de impostos em quantidade e em valor. Quero pagar por tudo cada vez mais, mesmo que não tenha retorno. Quero que aumente dia-a-dia o número de favelas e favelados. Sou totalmente contra a distribuição de renda, de riquezas e de recursos. Sou a favor do sucateamento dos hospitais públicos, do aumento dos planos de saúde e de suas mensalidades que ainda são muito baratas, e que falte cada vez mais medicamentos para todos, pois sou contra o desenvolvimento de pesquisas científicas e apóio a importação. Quero também ver cada vez mais ver meninos e meninas jogados nas ruas, exploração sexual, estupros, mendicância, para achar que minha vida está cada vez melhor. Apóio a escola que não tem compromisso com a educação, que só pensa em dinheiro e que possui professores incompetentes, assim como adoro os pais que não estão nem ai para a educação de seus filhos e não reivindicam nada. Apóio os pais irresponsáveis que delegam tudo. Apóio o aumento do número de igrejas e a diminuição do número de escolas. Quero que o dízimo seja aumentado, porque 10% são muito pouco para a salvação de uma vida. Apóio o aumento de pecados para cada cidadão. Apóio as superpopulações nas cidades e a falta de infra-estrutura, penso que tem mesmo é que se fazer a distribuição desordenada de lotes e trocar votos por camisetas. Apóio totalmente essa idéia de eleições fraudulentas, com caixa dois. Aliás, acho pouco, tem que ter o caixa três, quatro e cinco. Apóio o aumento das epidemias, a falta de informação, a falta de prevenção. Apóio o desmatamento, a poluição e o uso desordenado dos recursos naturais, que se danem as gerações futuras, pois não tenho nada a ver com isso. Sou contra o controle da natalidade e quero ver mais crianças desnutridas, mortas e jogadas nos rios. Apóio o que o IDH (índice de desenvolvimento humano) caía cada vez mais. Quero o Caje e a Febem como exemplo de escolas. Apóio o vandalismo, os ônibus lotados, a falta de lixeiras nas ruas, as calçadas quebradas, os asfaltos esburacados, e a ausência de banheiros públicos nas cidades. Quero sentir cheiro de mijo e bosta por onde passar. Apóio o aumento da dívida externa, o colonialismo e a ditadura a porretes. Apóio a tortura, a escravidão, o racismo e o preconceito. Apóio o aumento de balas perdidas e de contrabando de órgãos humanos. Apóio a TV e quero ver o Faustão e o Gugu diariamente. Apóio a redução de bibliotecas, a proibição de livros, queima e censura. Apóio o aumento dos preços para acesso à cultura e às artes. Sou totalmente contra a liberdade de expressão. Apóio as brigas de torcidas nos estádios de futebol. Quanto mais truculentas, melhor. E, ainda, apóio a prostituição das belas mulheres brasileiras, calientes e tropicais. Apóio o turismo sexual. Apóio toda a desgraça que esse país vive e ainda acho pouco. Quero mais. Apóio a falta de senso crítico, assim como apóio o aumento a ignorância e do analfabetismo. Apóio o moralismo e quero a morte total da ética. Finalmente, apóio irrestritamente a passividade do povo brasileiro. Apóio com todo o meu amor e solidariedade nosso jeitinho de ser, afinal cada um tem o direito de ser como é e ser conveniente com os seus próprios interesses. Vamos gritar juntos, todos juntos, neste ano de copa do mundo e de eleições, vamos gritar bem alto: abaixo a coletividade! E vamos cantar: somos brasileiros com muito orgulho! O melhor do Brasil é o BRASILEIRO! VIVA! VIVA! VIVA!

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Senso Crítico I

Referências:


CARRAHER, David W. Senso crítico. Do dia-a-dia às ciências humanas. 3a. ed. São Paulo: Pioneira, 1993.

GUARESCHI, Pedrinho A. Sociologia crítica. 34a. ed. Porto Alegre: Mundo Jovem, 1994.


Sobre o senso crítico e algo mais veja os textos abaixo:

Consciência crítica


Vida: viver a crise de paradigmas


Ratos de biblioteca


Aprendendo a pensar


Senso comum versus Ciência

Marcelo Druyan


A quem interessa formar senso crítico?

Sylvia Moretzsohn



Desmistificando a Inclusão Digital



Estamos emburrecendo


Relação Homem–Máquina


Do direito à memória


Tradicional ou moderno Você decide!

Seres Mutantes

"A estrutura de uma unidade pode mudar sem que sua organização seja destruída . Como sou um ser vivo, dinâmico, estou em contínua mudança estrutural. Felizmente, eu posso mudar de estrutura sem perder minha organização. Enquanto eu puder fazer isso, ou enquanto isso acontecer comigo, estou vivo...Um organismo, que existe em um meio e que opera de forma adequada às suas necessidades, pode atravessar um contínuo de mudanças tal que ele continua agindo adequadamente no seu meio, muito embora o meio esteja mudando. O importante é que o meio mudou, ao mudar, mudou o teor das interações que ocorriam...A trajetória vai compondo a ontogenia do ser, isto é, a história das suas mudanças estruturais como ser vivo..."


Autor: Humberto Maturana, 1999