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terça-feira, abril 08, 2008

Como fazer marketing viral

janeiro 19, 2007, 6:35 PM
por Fabio Seixas
Não. Não pense que vou escrever aqui uma receita de bolo necessária para criar uma campanha viral efetiva.

Mas vou mostrar uma coletânea de ideias pescadas e traduzidas de outros autores blogosfera a fora. Pequenos insights que podem ajudam a deflagar uma boa ideia para um bom viral.

De Seth Godin, "O que torna uma idéia viral?"
Ninguém "envia" uma idéia ao menos que:
a. que tenham compreendido-a

b. que tenham vontade de espalha-la

c. acreditem que espalhar a idéia irá aumentar seu poder (reputação, receita, amizades) ou sua paz de espírito

d. o esforço necessário para enviar a idéia seja menor que os benefícios

Ninguém "pega" uma idéia ao menos que:

a. a primeira impressão demande uma pesquisa mais profunda

b. já tenham compreendido as idéias fundamentais necessárias para endender a nova idéia

c. o remetente seja de confiança ou respeitável o suficiente para investir o tempo necessário


De Ralph Wilson, "Os seis princípios do marketing viral"
1. Distribui gratuitamente produtos e serviços com algum valor
2. Ofecer um meio sem eforço de envio para outros

3. É facilmente escalável do pequeno para o muito grande

4. Explorar motivações e comportamentos comuns

5. Utiliza redes de comunicação já existentes

6. Tira proveito de recursos de terceiros


De Kevin Nalty, "Os sete pecados capitais da propaganda por video viral"

1. Criar uma vaca preto e branca
2. Fingir que não está fazendo propaganda

3. Gastar uma fortuna na produção

4. Apenas comunicar ao invés de engajar

5. Fazer um concurso de video só porque todos estão fazendo

6. Estabelecer metas irreais de conversão

7. Jogar a toalha e decidir só anunciar usando video virais


Desta últma lista, o item 4 me fez lembrar a ação de mal gosto da RedBull no metrô de São Paulo.

Marketing viral na Web


fonte aqui



É clássico dizer que um cliente satisfeito com um produto, ou serviço, divulgará incondicionalmente o seu sentimento para pelo menos três pessoas; já, em situação adversa, um cliente insatisfeito divulgará o seu desagradado para umas 10, 20 ou até 30 pessoas, e isso em uma hipótese otimista. Vale a pena lembrar que nunca se tem uma segunda chance de ter uma primeira impressão, e que, quem não tem tempo para pensar não tem tempo para ganhar dinheiro.

O marketing viral é uma forma de obter retorno financeiro direto e, o que é melhor, quase de graça, pois este vírus é uma técnica que tenta explorar redes sociais preexistentes para produzir aumentos exponenciais em conhecimento da marca, como se fosse uma epidemia. Logo, é preciso ter um vírus de idéia que, na verdade, é uma idéia que se propaga no mundo da moda.

Estratégias de marketing viral
Para se obter sucesso em uma campanha, usando as técnicas de marketing viral, é importante entender quem é o público-alvo ou target primário. Na verdade, o target primário são aquelas pessoas formadoras de opiniões, pessoas que influenciam outras pessoas. As técnicas de marketing viral são muitas, e o conceito é amplo. Portanto, segue apenas algumas técnicas:

. E-mail Marketing;
. Hotsite; e
. Vídeos.

E-mail Marketing
O primeiro passo para usar e-mail marketing ao propagar marketing viral é encontrar um segmento de clientes potenciais. Não é aceitável enviar e-mail em massa, ou seja, enviar e-mail para todos os clientes da empresa, pois isso pode ser taxado como SPAM e, também, é necessário que o cliente autorize o recebimento da comunicação (opt-in).

Uma boa forma de segmentação para envio de e-mail é o uso de CRM – Customer Relationship Management, que segundo Ronald Swift (2002), é uma abordagem empresarial destinada a entender e influenciar o comportamento dos clientes, por meio de comunicações significativas para melhorar as compras, a retenção, a lealdade e a lucratividade deles. Segundo este mesmo autor, CRM é um processo interativo que transforma informações sobre os clientes em relacionamento positivos com os mesmos. Para trabalho com este conceito, no entanto, faz se necessário a desnormalização de um Banco de Dados, a fim de obter dados específicos e rápidos de todos os clientes da empresa, segundo um parâmetro para chegar até um target primário.

O e-mail marketing deve ser elegante, atraente, informativo, limpo e, sobretudo, deve emocionar o leitor. Não deve possuir textos longos e intermináveis; valorize as imagens, focando no objetivo principal do e-mail, lembrando-se que o cliente não pode ficar só na leitura do e-mail, o cliente deve repassar a mensagem para toda a sua “Colméia de amigos”.

É importante frisar que o ser humano gosta de se relacionar com pessoas que são parecidas com ele; e nestes relacionamentos, existem grandes trocas de experiência, uma vez que os assuntos envolvidos em qualquer conversa entre amigos é justamente tudo aquilo que foi lido (e-mail, comunidades), visto (hotsite), ouvido (vídeos) ou sentido de alguma forma durante o dia.

Hotsite
Um hotsite é um ambiente para divulgação de um produto específico, ou seja, o hotsite deve ser focado, não pode ser tratado como uma forma de divulgação de vários produtos. Um hotsite, na verdade, deve conter um único produto ou serviço, em que o principal objetivo é: não dividir a atenção do cliente com outros assuntos relacionados. Faça um hotsite motivador, pois é neste momento que você vai ganhar a atenção. Ter um diferencial é a alma do negócio. Tente trabalhar com o conceito de que o seu produto é único e deve ser tratado como um rei; o diferencial é que fará o trabalho de transmissão do vírus.

Hoje em dia, a internet é essencialmente dinâmica e a ação de abrir um site e fechá-lo do browser é constante. Logo, o objetivo do marketing viral é ir além. Mais do que o cliente permanecer com o site aberto, ele deve divulgar o endereço, seja colocando o link em seu “delicious”, mandando e-mail para divulgar o site ou por boca-a-boca mesmo.

Vídeos

Fazer marketing viral por meio de um vídeo é muito interessante e empolgante. O vídeo deve ser emocionante ou engraçado, envolvente, e, se possível, ter uma história. A sua mensagem deve ser passada de forma natural, não pode ser imposta como se o cliente fosse obrigado a “engolir” o seu logo. Visto isso, então, para propagar um vírus por meio de um vídeo na internet é importante, antes de qualquer coisa, definir o suspect, prospect e target. Mas o que é isso? Calma, vou explicar.

Suspect são aquelas pessoas que não fazem parte do foco de sua campanha viral. Normalmente, são pessoas que sabem que existe este meio de comunicação (internet/vídeo), porém não se interessam por esta exposição. Logo, não queremos este público.

Já o prospect são grupos sociais mais próximos de nossa realidade. Algumas vezes eles não possuem recursos para acessar os vídeos, sabem que existe, gostariam de ver o vídeo, porém não se encontram fortemente influenciados para isto, muitas vezes por falta de recursos.

O ponto-chave para este tipo de marketing é o target. O público-alvo. Isto é; o que vai fazer o nosso vídeo se propagar pela internet. São pessoas que fazem parte de um grupo pequeno e segmentado e isso é importantíssimo. Identificar o target primário é o ponto principal para começar a pensar no desenvolvimento do vídeo.

Gostaria de terminar este artigo lembrando que para um marketing viral eficiente o canal de comunicação escolhido por você deve conter um conteúdo criativo. E, que na internet, o limite é a sua imaginação. Lembre-se bem que as pessoas que você escolher como alvo serão suas parceiras na missão de divulgar o seu produto. São estas pessoas que influenciam outras pessoas, e a essência do marketing viral é justamente a divulgação espontânea de pessoa para pessoa.

Marketing viral

Sete técnicas de marketing viral

Por Renato Fridschtein

"Vai, menino, e cresce em valor; esse é o caminho da imortalidade"
-- Virgílio

Se você ainda não sabe o que é marketing viral, não se preocupe. Não é nenhuma febre de diretor de criação, é apenas o nome que se dá a uma técnica que existe há muito tempo, bem antes da Internet, só que com outro nome: marketing boca a boca.

Você sabe: ao tratar bem um cliente ele vai dizer a outras pessoas, atraindo novos negócios. Por outro lado, se o cliente é mal tratado ele não só deixa de comprar de você como vai falar mal de sua empresa e seus negócios vão diminuir.

No mundo dos tijolos é assim e como será na internet? A mesma coisa, mas com um potencial de multiplicação muito maior.

De forma simplificada, marketing viral é qualquer estratégia que encoraja indivíduos a passar adiante sua mensagem de marketing (seu argumento de venda), criando uma oportunidade de crescimento exponencial da exposição e influência desta mensagem.

Como um vírus, esta estratégia usa o rápido crescimento para uma explosão de milhares ou milhões de leitores.

Hoje você verá sete técnicas de marketing viral que servirão para atrair mais visitas e, principalmente, promover o retorno de seus visitantes.

1. Assinatura de email
A primeira técnica é muita conhecida. Assinaturas de email são três ou quatro linhas que você coloca em todas as mensagens de email. Assim toda mensagem que você envia leva seu nome e endereço para os leitores.

Se a informação que você veicula interessar a outras pessoas além do leitor direto, incentive-o a encaminha-la, multiplicando os leitores e espalhando sua assinatura.

Saiba mais sobre esta técnica e aprenda a configurar seu programa de email para que seja automático leia o artigo "Descubra como um site conquistou dez milhões de usuários em um ano e meio de existência sem gastar praticamente nada"

E o exemplo clássico continua sendo o Hotmail, um dos primeiros serviços a oferecer email gratuito via web:

O site dá emails gratuitos,
Uma única linha dizendo "Tenha seu email grátis http://www.hotmail.com/" é anexada ao final da mensagem,
Os internautas usam o email em sua rede de amigos e colegas espalhando a mensagem,
Os amigos e colegas recebem a mensagem e também assinam o serviço,
Os novos usuários usam o serviço, espalhando ainda mais a mensagem.

2. Grátis eu gosto
Dá pra encontrar de tudo gratuito na Internet, não é? Por que será? Será por que as pessoas adoram coisas grátis? Com certeza.

A verdade é que nos adoramos não pagar por algum benefício. Aproveite esta faceta humana e ofereça algo gratuito em seu site, alguma coisa que sirva para espalhar seu endereço e trazer novos visitantes ao site, faça.

A idéia é dar para vender: uma amostra do produto, uma versão reduzida, trinta dias de experiência, um mini curso com informações de pré-venda, você escolhe.

O importante é que seja relacionado ao seu produto e que tenha valor real para o internauta, passando ou reforçando sua mensagem de venda e permitindo que o visitante retorne ao site para comprar ou pelo menos, para obter mais informações.

3. Webcards
Minha mãe adora mandar webcards. São aqueles cartões postais digitais que a gente recebe de vez em quando.

Você lembra como funciona:

O remetente visita o seu site e envia o cartão,
O destinatário recebe apenas um email dizendo que 'fulano@qualquercoisa.com acaba de mandar um web card' e ele deve visitar a página para ver o cartão,
Ele visita a página e responde ou manda para outra pessoa, aumentando a exposição.
É assim que o vírus se espalha, percebe?

4. Ezine
Um ezine é um informativo na forma de email que você recebe de tempos em tempos. O MEiO no Email ou o Webinsider são exemplos e se você ainda não tem, está na hora de pensar nisto.

A questão aqui é publicar artigos que realmente interessem seus visitantes e incentiva-los a encaminhar a mensagem para quantas pessoas quiser.

Eu gosto de dizer: "Se você gostou, envie para um amigo, se não gostou, envie para um inimigo". :-) Brincadeiras à parte, o que importa é ser criativo e ficar concentrado em seu nicho de mercado.

5. Mensagens instantâneas
Um dos maiores sucessos da internet é o ICQ, um programa que permite saber quando algum conhecido está conectado à internet e enviar mensagens para ele que as recebe na mesma hora e responde.

Acontece que para usar o ICQ, ambos os lados têm que ter o programa em seu computador e é está a beleza do negócio: qualquer pessoa que goste do ICQ vai insistir com você que também use. Daí você tem que ir ao site, baixar o programa e se cadastrar no serviço, que é gratuito.

A partir daí ele vai estar lá com você em cada navegação. Com você e mais ou menos 80 milhões de pessoas no mundo todo.

6. Se você gostou deste site, recomende

Você já deve ter visto esta mensagem em alguma página. Um simples script que permite que o visitante que gostou do site envie facilmente uma mensagem para seus amigos.

Há vários sites que oferecem scripts gratuitos. Uma opção brasileira é o http://www.recomenda.com.br/. É bem fácil de colocar em sua página.

7. Tenha um exército de vendedores
Imagine milhares de sites com banners apontando para seu endereço. Imagine só pagar quando uma venda acontecer!

Foi isto que o www.amazon.com fez para se tornar um dos fenômenos da rede mundial. Oferecendo comissão pelas vendas de livros, webmasters do mundo todo aderiram a seu programa e o tornaram a maior livraria do mundo, sem uma loja sequer.



Estas idéias são só o começo e o céu é o limite. Como eu disse, seja criativo oferecendo valor para seus visitantes.

Pense em pelo menos três outras formas de espalhar sua mensagem de forma exponencial (esqueça o SPAM) e ponha em prática, mesmo que pareça maluca. Sem testar, você nunca vai saber.

Ah! Aproveite e mande este artigo para seus amigos ;-)



© 2001 Renato Fridschtein - Todos os direitos reservados


Sobre o autor: Renato Fridschtein é autor do ebook 'Dominando os Sites de Busca' e vários outros artigos e ebooks sobre marketing e negócios na internet. Você pode conhecer seu trabalho no site meio.ws e descobrir como ter uma página de sucesso na internet. Entre em contato.

Você pode divulgar este artigo em sua página ou informativo, desde que mantenha o texto intacto, inclua esta nota sobre o autor com os links ativos e esta sentença, e avise-nos quando o artigo for publicado.

terça-feira, março 25, 2008

metaverso o verso do reverso

"Hoje existem mais de 7,8 milhões de usuários cadastrados,
desses 400 mil são brasileiros", Emiliano de Castro.

Segunda-feira, 16 de julho de 2007.

Second Life: que história é essa?

Imagine um mundo onde você pode ser o que quiser, fazer o que desejar e transformar-se naquilo que sempre sonhou. Esta é a propaganda do Second Life. Provavelmente, você já ouviu alguma coisa sobre o metaverso que vem atraindo a atenção de jovens e adultos de todo o mundo. Metaverso? Sim. Trata-se de “um universo virtual dentro do nosso universo real. Um mundo digital on-line tridimensional, onde tudo é criado pelos seus residentes”, como explica o diretor de marketing do Second Life Brasil, Emiliano de Castro.

No mundo todo, os internautas brasileiros são privilegiados. Eles possuem uma entrada própria em Língua Portuguesa que dá acesso ao Second Life. No metaverso, é possível vivenciar uma outra vida, desde a celebração de um casamento até a construção de uma casa ou o fechamento de um grande negócio. Hoje existem mais de 7,8 milhões de usuários cadastrados, desses 400 mil são brasileiros.

Em entrevista ao RIO MÍDIA, Emiliano de Castro disse que o sucesso do Second Life se deve ao fato de que o projeto encontrou uma mistura simbiótica entre conteúdo criado pelo usuário, economia virtual e redes de relacionamento. “Essa combinação explosiva junta uma série de tendências que já vinha se desenvolvendo há algum tempo. Por isso mesmo, encontra boa aceitação da comunidade. As empresas, é claro, se interessaram por este novo canal para se comunicar com seus consumidores”, explica Castro.

Acompanhe a entrevista na íntegra.

RIO MÍDIA - O que é o Second Life. É um jogo? Um mundo paralelo? Uma brincadeira? Um negócio? Uma diversão on-line como qualquer outra? Afinal, como podemos defini-lo?
Emiliano de Castro - É um metaverso. Ou seja, um universo (virtual) dentro do nosso universo (real). Um mundo digital on-line tridimensional, onde tudo é criado pelos seus residentes.

RIO MÍDIA - Na prática, como esse metaverso funciona?
Emiliano de Castro - Existe um grid de servidores que simula um espaço virtual, onde os residentes circulam e fazem suas construções. As ferramentas de construção e programação já vêm integradas no client, que é o software que o usuário instala no seu computador. Para ingressar no Second Life basta fazer o cadastro no site www.secondlifebrasil.com.br. Com a assinatura básica, você já pode nascer no metaverso, aprender a lidar com seu avatar (você dentro do Second Life), definir o seu perfil físico, escolher a maneira como quer se vestir e navegar pelos inúmeros lugares oferecidos aos visitantes. Já quem optar pela assinatura Premium (R$ 19,90 mensais) poderá ter um terreno, construir sua casa, ou seu próprio negócio dentro do Second Life Brasil. O assinante Premium recebe bônus de 1000 Linden dólares no pagamento da primeira mensalidade e 300 Linden dólares por semana. Ele pode participar de leilões dentro do Second Life Brasil e conta com suporte técnico 24 horas por dia, durante os 7 dias da semana.

RIO MÍDIA - Quantas pessoas já estão cadastradas? Há dados estatísticos por sexo, idade, país?
Emiliano de Castro - O Second Life pode ser acessado por qualquer pessoa do mundo, desde que maior de 18 anos. Hoje existem mais de 7,8 milhões de usuários cadastrados, desses 400 mil são brasileiros.

RIO MÍDIA - Qual é o perfil do usuário brasileiro?
Emiliano de Castro - Existem iniciativas em andamento para fazer um mapeamendo do perfil do usuário brasileiro. De forma geral, os usuários masculinos somam 57%. E a média de idade dos usuários brasileiros é de 26 anos.

RIO MÍDIA - Uma dúvida: o Second Life Brasil dá acesso ao Second Life Global?
Emiliano de Castro - O Second Life Brasil é a porta de entrada para os brasileiros no metaverso. Você tem todas as informações que precisa em português e pode realizar todas as transações comerciais em reais. Através dele você tem acesso a todo o metaverso, assim como quem entra através do client em inglês tem acesso às ilhas brasileiras.

RIO MÍDIA - Qual é o público-alvo ?
Emiliano de Castro - Qualquer pessoa acima de 18 anos.

RIO MÍDIA - A máxima do Second Life é: Imagine um mundo onde você pode ser o que quiser, fazer o que desejar e transformar-se naquilo que sempre sonhou. Existem regras neste mundo? Existe algum código de ética, do que é permitido, do que é condenável?
Emiliano de Castro - Os usuários devem respeitar um código de conduta da comunidade, descrito nos Termos de Uso do Second Life. Podem oferecer denúncia quando sentirem sua privacidade invadida. Os usuários também estão sujeitos à legislação do mundo real. Além, é claro, das regras que naturalmente emergem à medida que crescem as sociedades no mundo virtual.

RIO MÍDIA - Por que o Second Life vem atraindo tantas pessoas e empresas?
Emiliano de Castro - O Second Life encontrou uma mistura simbiótica entre conteúdo criado pelo usuário, economia virtual e redes de relacionamento. Essa combinação explosiva junta uma série de tendências que já vinha se desenvolvendo há algum tempo. Por isso mesmo, encontra boa aceitação da comunidade. As empresas, é claro, se interessaram por este novo canal para se comunicar com seus consumidores.

RIO MÍDIA - De que forma o Second Life pode contribuir para o ensino?
Emiliano de Castro - Ensino e pesquisa ganham uma forte contribuição com o Second Life. O próprio conceito de Ensino à Distância ganha um significado diferente, se considerarmos o nível de interação permitido entre os residentes (envolvendo inclusive comunicação não-verbal). Várias universidades já têm cursos dentro do Second Life, e desenvolvem pesquisas utilizando o metaverso como um tubo de ensaio.

RIO MÍDIA - Está bem claro no site do Second Life do Brasil que o acesso é proibido para menores de 18 anos. Por que existe esta proibição?
Emiliano de Castro - Existe um grid do Second Life separado para adolescentes de 13 a 17 anos.

RIO MÍDIA - Vocês têm conhecimento de que crianças e jovens acessam o Second Life Brasil?
Emiliano de Castro - Os mecanismos de controle da internet são relativamente frágeis nesse sentido. Em última instância, o controle deve ser exercido pelos pais ou responsáveis.

RIO MÍDIA - Você acha que o Second Life traz uma nova concepção de mundo?
Emiliano de Castro - Ele traz um universo de possibilidades. Um lugar onde a construção é coletiva acaba se tornando um ambiente de auto-expressão. Os residentes são encorajados a criar, a participar das atividades que acontecem lá dentro. E a interação é natural: ao compartilharem suas experiências, os residentes criam novos grupos sociais, onde a distância geográfica do mundo real não tem o menor significado.


Entrevista concedida a Marcus Tavares

segunda-feira, março 24, 2008

15 minutos de fama

Apesar de ser algo típico do final do século XX e começo do XXI, o fenômeno em questão foi profetizado por uma frase de Andy Warhol [2], que na década de 1960 começou a pintar produtos americanos famosos, como latas da sopa Campbell's e garrafas de Coca-Cola, ou ícones de popularidade, como Marilyn Monroe. Disse ele: "um dia, todos terão direito a 15 minutos de fama" ao comentar obras próprias baseadas em acidentes automobilísticos, em especial o de uma ambulância.

texto veio da wikipedia

domingo, março 23, 2008

Bruce Sterling: o melhor futurista é aquele que prevê o presente?

terça-feira, março 18, 2008

Minikhrónos

- Oi, tudo bem?
- Tudo. E você?
- Também. Olha só, precisa de avisar um mês antes, né? Então, eu quero cancelar as aulas a partir do próximo mês.
- Como? De jeito algum!
- Sim, sim. Pode anotar ai. Obrigada, até.
- Tchau

domingo, março 16, 2008

Twitter de Gabriela Zago

http://twitter.com/gabizago

microbloggings, memes, twitter, 140 caracteres

FONTE DESTE POST É O BLOG DA GABRIELA ZAGO Twitter Poster
novembro 14, 2007 11:03 PM | Permalink | Comentários (1)



O TwitterPoster é um mashup que procura posicionar as fotos dos usuários do Twitter em um ranking visual, no estilo de um pôster. Quanto maior o número de seguidores, mais alto no pôster aparece o indivíduo. Os usuários com o maior número de seguidores em uma determinada circunscrição geográfica aparecem com fotinhos maiores. O resultado é uma representação visual da Twittosfera, separada por países e regiões do mundo.

Na imagem/link acima, você pode conferir a representação visual da Twittosfera brasileira. Dentre as fotos maiores, destaque para CrisDias (primeiro brasileiro do Twitter) e Edney Interney (maior número total de seguidores no Brasil).

Micropodcasting

O TwitterGram permite postar pequenos arquivos de áudio diretamente no Twitter. Para isso, o arquivo, em mp3, não pode ultrapassar 200kb. É possível enviar um novo arquivo a cada 10 minutos. Os mp3 enviados são automaticamente convertidos em postagens no Twitter (vai o nome do programa e uma tinyurl apontando para o arquivo). Considerando que o Twitter pode ser transmitido em um feed RSS... o resultado obtido é praticamente um serviço gratuito de micropodcasting. E o mais legal de tudo: dá para atualizar pelo telefone.

Um uso interessante da ferramenta seria para noticiar desdobramentos ao vivo de fatos que estejam acontecendo -- tipo um live micropodcasting de caráter jornalístico.

O micropost de áudio sai nas atualizações do usuário no Twitter, e também na conta global do TwitterGram.

A página do TwitterGram informa que o serviço é disponibilizado em caráter experimental, e que pode ficar fora do ar a qualquer momento.

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Em tempo: talvez fosse melhor se a limitação não fosse em termos de tamanho (200kb), e sim na duração do áudio (como nos 30 segs da atualização por telefone). Dá muito bem para ultracompactar um áudio com duração razoável, mas com qualidade terrível.


Memes no Twitter
por Gabriela Zago em dezembro 11, 2007 12:17 PM | Permalink | Comentários (2)


Com a popularização do Twitter no Brasil, surgem também os primeiros memes por lá:

O #twittareh teria sido o primeiro meme brasileiro do Twitter. Ou, pelo menos, o primeiro a usar uma palavra precedida de “#”, o que, em linguagem twitteira, significa que os demais usuários podem acompanhar (track) o que é dito sobre o assunto. Veja aqui uma lista do que já foi dito sobre o que é twittar.

Um pouco depois, surgiu o #previsões2008, pelo qual cada um deveria tentar prever, em 140 caracteres, o que acontecerá em 2008. Acompanhe aqui.

Há ainda o divertido #interneyfacts, baseado nos Chuck Norris Facts, com o objetivo de enumerar fatos extraordinários sobre o Interney. Este post do Cê Inove Já! traz uma compilação dos Interney Facts surgidos no Twitter. (Ou, se preferir, procure pelo termo aqui.)

No início de setembro, teve ainda o meme de se dizer o que se estava fazendo há seis anos durante o atentado às torres gêmeas. A diferença deste para os memes acima é o fato de que os atuais se utilizam de uma das ferramentas do Twitter, o Twitter Track – o que permite que a evolução do meme possa ser acompanhada e medida.

Para acompanhar algum desses memes, digite track #palavra no Twitter via Google Talk (também funcionaria via celular, caso essa fosse uma opção economicamente viável no Brasil). Ou procure pelos termos no Terraminds twitter search.


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Formas de se utilizar o Twitter


Dan York, do Disruptive Conversations, fez um longo post enumerando os dez principais usos que ele faz do Twitter, meio que tentando justificar como e por que ele usa o Twitter para comunicação online. De forma resumida, os dez principais usos seriam:

1. Twitter como uma fonte de notícias/novidades – o Twitter seria útil não só para notícias em sentido estrito, mas também para se descobrir novidades e curiosidades a partir dos links sugeridos pelos amigos. Ele exemplifica citando o caso do assassinato da ex-primeira ministra do Paquistão, Benazir Bhutto. As primeiras informações sobre o atentado começaram a pipocar em pouco tempo no Twitter. [Sobre o assunto, Dennis Howlett fez um interessante apanhado geral da cobertura do assassinato pelo Twitter - a idéia é a de que os microblogs conseguem ser ainda mais rápidos que os blogs.]

2. Twitter como uma rede de conhecimento – no sentido de que é possível fazer perguntas e obter respostas de forma rápida e eficiente.

3. Twitter como um “bebedouro virtual” – assim como nos escritórios, em que corredores e hora do cafezinho são situações propícias a se jogar conversa fora, também no Twitter é possível interagir com outras pessoas, em momentos de descontração. Dan York considera esse uso do Twitter particularmente interessante para pessoas que, como ele, trabalham a partir de casa.

4. Twitter como uma forma de se manter atualizado com os amigos – o Twitter fornece uma maneira rápida e fácil de saber o que seus amigos estão fazendo.

5. Twitter como diário de viagens – o Twitter pode ser utilizado para contar sobre as viagens que se está fazendo, os lugares que se está visitando, a situação do aeroporto em que se está esperando o próximo vôo, ou o evento que se está assistindo – a vantagem de se utilizar o Twitter para essa finalidade é poder encontrar pessoas que possam estar na mesma cidade, situação ou evento.

6. Twitter para acompanhar eventos – para quando não se tem como estar presente em algum evento ou conferência. Dependendo do tamanho do evento, há grandes chances de que alguém esteja fazendo “live microblogging”. [Também é divertido fazer live-microblogging, mesmo que ninguém esteja acompanhando :P]

7. Twitter como uma ferramenta de marketing/relações públicas – é possível usar o Twitter para promover os posts de seu próprio blog (embora seja irritante postar sobre todos os posts, é interessante chamar a atenção para alguns posts que possam vir a interessar as pessoas que nos seguem no Twitter). As empresas também têm começado a se utilizar do Twitter para promover seus produtos/serviços – tipo o que faz o Guaraná Dolly, ou a província argentina de Chubut.

8. Twitter como uma ferramenta de aprendizagem – Dan York relata que, a partir das diversas atualizações do Twitter que acompanha, acaba aprendendo sobre novos assuntos e novas áreas para explorar – alargando seu campo de conhecimento.

9. Twitter como diversão – o Twitter também serve para momentos de descontração, para contar piadas, ou narrar fatos engraçados que ocorram em nosso dia-a-dia.

10. Twitter como uma lição diária de humildade e brevidade – no Twitter, é preciso ser breve e conciso. São apenas 140 caracteres – 115, caso se queira postar uma URL -, e isso faz com que sejamos forçados a reduzir o que queremos dizer apenas ao essencial. Não há espaço para informações supérfluas.

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Notou a ausência de alguma utilização? O próprio Dan York reconhece que está faltando em sua lista um dos usos mais clássicos, o “Twitter como uma conversação”. Ele justifica a não inclusão do item pelo fato de que ele, particularmente, não costuma usar muito o Twitter para essa finalidade (só não sei como ele se diverte, ou obtém resposta a perguntas, sem que haja conversação). Outra ausência reconhecida por York é o uso do “Twitter para ficção”.

--

E você, para quais finalidades utiliza o Twitter?
Você sabe que está usando o Twitter demais quando...

... simplesmente não consegue escrever nada que tenha mais de 140 caracteres.

... estranhamente, passa a fazer posts de no máximo 140 caracteres no blog.... pensa seriamente em substituir o blog pelo Twitter (se é que já não fez isso).

... sente falta quando seus amigos ficam sem atualizar por algumas horas.

... sua vida perde o sentido quando o Twitter sai do ar ou fecha para manutenção.

... não sabe o que fazer enquanto o Twitter fica fora do ar.

... comemora quando o Twitter volta da manutenção.

... alguém pergunta o que você fez hoje, e você manda olhar no seu Twitter.

... para todas as situações da vida, você consegue lembrar de alguém que já contou ter feito isso, no Twitter.

... fica deprimido se ninguém responde às suas perguntas existenciais.

... fica deprimido se não sabe o que dizer.

... fica deprimido se não consegue resumir o que tem a dizer em 140 caracteres.

... não agüenta mais ouvir falar em Twitter.

... já pensou em cometer um twittercídio.

... já cometeu um twittercídio (mas voltou, porque você não conseguiu viver sem o Twitter).

... comemora quando faz atualizações com exatos 140 caracteres.

... não perde sequer uma oportunidade de fazer live-microblogging – mesmo que absolutamente ninguém esteja acompanhando sua cobertura.

... apesar da infinidade de sites relacionados ao Twitter que já existem, você consegue pensar em pelo menos dez novos usos para a API do Twitter que ninguém tenha pensado antes.

... se irrita quando suas URLs não são convertidas automaticamente em TinyURLs (e passa a achar que se trata de uma conspiração).

... converte manualmente as URLs em TinyURLs, para sobrar 115 caracteres para o texto.

... teme o dia em que acabarão as combinações possíveis de TinyURLs.

... consegue enumerar cinco serviços de compactação de URLs – fora o TinyURL.

... quando se refere a alguém que não está presente, coloca uma @ antes.

... passa a colocar @ antes do sobrenome dos autores ao citar referências em trabalhos científicos.

... e as palavras-chave são introduzidas com #, logo após um resumo de exatos 140 caracteres.

... seu esporte preferido é a twittcrastinação. De preferência, praticada durante o horário de trabalho.

... seu chefe pede para fazer um relatório com urgência, e você só consegue pensar na frase que irá usar para reclamar disso no Twitter.

... fica em casa sexta à noite só para poder acompanhar as atualizações no Twitter (isso quando percebe que já é sexta à noite!).

... para acordá-lo de manhã cedo, você usa o Twitter como despertador.

... apesar da limitação de 140 caracteres, somando tudo, você já escreveu mais no Twitter do que em toda a sua vida escolar.

... não consegue entender o que as pessoas vêem no Pownce ou no Jaiku (mas tem conta nos dois, por via das dúvidas).

... seu sonho de consumo é um smartphone com pacote de dados ilimitados, só para poder atualizar o Twitter a qualquer momento.

... sua conta de telefone apresenta gastos astronômicos com o envio de mensagens SMS para número internacional.

... entra em pânico porque não consegue fazer de jeito nenhum aparecer # na hora de enviar uma mensagem do seu telefone. **

... seus followers mandam mensagens preocupadas porque você não atualiza o FoodFeed há quatro dias e eles pensam que você está morrendo de fome (e o que é pior - pode muito bem ser verdade). **

... seus e-mails magicamente passam a ter no máximo 140 caracteres. **

... contando os 25 da TinyURL. **

... na verdade, toda sua comunicação passa a ser bastante curta - e as suas lacunas são interpretadas como inteligência superior, o que lhe rende várias promoções, ou mistério, o que garante uma vida sexual bastante ativa. **

... vê que não consegue falar sobre qualquer outra coisa e resolve postar no blog os motivos que levam a pensar que você está usando demais o Twitter.

... consegue pensar em vários outros motivos que não figuram nesta lista. E decide postá-los, no Twitter.


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Relação iniciada enquanto o Twitter estava fora do ar. Inspirado na lista “O blog começa a lhe fazer mal quando...”, do blog Amarula com Sucrilhos.

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Os motivos com ** do lado foram sugeridos pelo Tiagón.

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Trata-se, obviamente, de uma lista inacabada. Fica o convite para quem quiser continuá-la, por qualquer meio :)

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Veja também: o meme #twittareh

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Em 2000 e alguma coisa, fiz a lista "Você sabe que assiste Gilmore Girls demais quando...".

Astroturfing

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
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Astroturfing é um termo utilizado para designar ações políticas ou publicitárias que tentam criar a impressão de que são movimentos espontâneos e populares.

O termo em inglês vem de Astro Turf (grama sintética) em oposição ao termo grassroots (que são movimentos espontâneos da comunidade).


[editar] Exemplos
Em Maio de 2006, a SanDisk lançou o site I Don´t aparentando ser um blog criado por consumidores indignados com a dominação da Apple no mercado de mp3 players. Na verdade, o site fazia parte da campanha de um produto da Sandisk, o Sansa e200. O site atualmente redireciona para o site do produto.
Em Dezembro de 2006, a Sony criou o blog “All I want for Xmas is a PSP” (Tudo que eu quero de Natal é um PlayStation como se tivesse sido criado por um consumidor, mas em pouco tempo descobriu-se que fazia parte da campanha de marketing da empresa. Veja tela do blog, aqui
Em Maio de 2007, a operadora de telefonia celular Oi passou a oferecer (como já acontece fora do Brasil) celulares desbloqueados e lançou a campanha Bloqueio Não] com o objetivo de provocar um levante popular contra as concorrentes, fazendo as pessoas se indignarem e trocarem de operadora. Foi criado o site Bloqueio Não onde são coletadas assinaturas on-line para o manifesto e foram colocadas vans nas ruas para conseguir assinaturas off-line.

[editar] Ver também
Marketing viral
Marketing de guerrilha
Buzz marketing

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sexta-feira, março 14, 2008

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terça-feira, março 11, 2008

A Internet e os novos papéis do jornalista e do cidadão

06/08/2007



Inês Aroso* e Frederico Correia**



Preâmbulo



Parte deste artigo foi elaborado pela autora Inês Aroso em 2003, no âmbito do Mestrado realizado nesta área. Após o convite de Marcos Nicolau para publicar o seu trabalho na Revista Temática, a autora achou que seria pertinente uma actualização do artigo. Para tal, contou a colaboração de Frederico Correia, cuja pesquisa sobre jornalismo do cidadão desenvolvida na disciplina Projecto em Jornalismo (no âmbito da licenciatura em Ciências da Comunicação na Universidade Trás-os-Montes e Alto Douro – Vila Real, Portugal) permite complementar e actualizar a investigação.

Desta forma, pretendemos traçar uma visão das influências da Internet no papel do jornalista e do próprio cidadão. Sim, porque se há alguns anos apenas se reflectia sobre as mudanças sentidas no papel do jornalista, agora também o cidadão assume novos papéis, passando a ser um elemento-chave da análise dos estudiosos dos media.





Índice

1 Competências do jornalista

2 O fim do jornalista?

3 Jornalismo do cidadão: quem és tu?



1 Competências do jornalista



O jornalismo on-line influencia os vários aspectos da realidade jornalística. Um desses elementos, ou mesmo o principal, é o jornalista que, também ele, é profundamente afectado. Em primeiro lugar, constatamos, de acordo com Carl Stepp (1996), que a Internet não só está a criar novas formas de jornalismo, mas também de jornalistas. Nesta linha de ideias, Maria Teresa Sandoval Martín (2000) defende que a Internet não só está mudando os modos de acesso à informação pelos utilizadores, o modelo de comunicação tradicional, a economia mundial e as empresas de comunicação, mas também o perfil do jornalista. De acordo com Pavlik (2001), são três as mutações no papel do jornalista: «O jornalista tem que ser mais do que um contador de factos, o papel do jornalista como intérprete dos acontecimentos será expandido e em parte modificado e os jornalistas on-line terão um papel central na ligação entre as comunidades».

Perante uma nova realidade profissional, então, as competências que são exigidas ao jornalista, como é natural, também mudam. A mudança começa na própria formação dos novos profissionais do jornalismo, que, de acordo com o Arturo Merayo Pérez (1997), passará pela capacidade multimédia: «Todos os meios serão multimeios, a verdadeira especialidade dos futuros profissionais da informação será a capacidade de trabalho em todos eles, seleccionando e interpretando informação com a suficiente criatividade para dispor agradavelmente essa informação». Doug Millison (1999) adianta ainda: «Os jornalistas on-line devem aprender algumas ferramentas básicas da Web: como usar a Internet para pesquisar informação, programação básica de HTML para saberem construir páginas Web, produção digital de áudio e vídeo e técnicas de programação na Web relacionadas, para adicionar elementos multimédia ao texto jornalístico».

Concha Edo (2000) aborda as competências multimédia do jornalista on-line, falando de uma «conversão dos jornalistas em “fornecedores de conteúdos”, tanto para jornais, como para rádio, televisão e Internet. É o jornalismo multimédia, que exige escrever a notícia para a Internet, com as correspondentes actualizações, e contá-la nos meios audiovisuais, compartilhando toda a informação e renunciando aos exclusivos e às reportagens, por falta de tempo para tal». Partilhando desta opinião, Carl Sessions Stepp (1996) afiança: «Capacidade e versatilidade definem os membros desta nova espécie, mais do que a ligação a um meio específico. Eles podem pensar e trabalhar ao longo do amplo campo de acção da imprensa, da televisão e até das novas tecnologias da informação». Também Ruth Gersh (Cit. in STEPP, 1996), quando esboça o perfil de competências de um jornalista na era da Internet, salienta o aspecto multimédia: «Pessoas com uma mistura de aptidões tradicionais e futuristas, que conseguem trabalhar com imaginação tanto textos como fotos, áudio e vídeo. Então, o jornalista on-line acaba por ser um jornalista multimédia (MARTÍN, 2000). Christopher Harper (1998) exemplifica: «Na edição electrónica, o repórter leva consigo uma caneta, um bloco de notas, um gravador de áudio, uma máquina fotográfica digital e por vezes uma câmara de filmar de uso doméstico».

Com outro tipo de análise, Eric Meyer (2001) contrapõe dois tipos de competências - a tecnológica e a profissional - dando preferência a esta última vertente: «Os conhecimentos técnicos são importantes. No entanto, mais importante é uma compreensão sólida de como procurar informação significativa, organizá-la de modo eficiente e apresentá-la de forma a que a audiência a aprecie». Ou seja, para este autor, mais importante do que dominar a parte tecnológica é deter uma sólida base profissional como jornalista e, em consequência, possuir pensamento crítico e perceber as técnicas de escrita. A coincidir com esta análise estão algumas dicas de J. D. Lasica (1997) relativas às aptidões do jornalista on-line: «Interiorizar os princípios do jornalismo – os jornalistas on-line devem ter as mesmas competências que os dos outros media: boas técnicas de entrevista, capacidades sólidas de pesquisa, tenacidade, velocidade, rigor, flexibilidade e uma escrita atractiva». E acrescenta: «Aprender o que é que funciona na Internet – como melhorar a notícia através de fóruns, inquéritos, materiais de background, documentos de suporte, áudio, vídeo, mapas e gráficos interactivos, arquivos pesquisáveis, entre outros». Outros requisitos, segundo o autor já citado, são também: «Ter uma paixão pelo jornalismo on-line, aprender as ferramentas do novo meio, desenvolver um conjunto versátil de capacidades, estudar HTML e Web Design, participar em discussões on-line, estar a par dos desenvolvimentos».

Quanto a Furio Colombo (1998), este é breve a descrever as competências necessárias ao novo jornalista: «Mais do que nunca, necessitarão de sentido moral, aliado a uma astúcia técnica cada vez mais apurada». Por outro lado, Leah Gentry (Cir. In HARPER, 1998) apresenta certas regras básicas para quem trabalha como jornalista num meio on-line, que fazem sobressair a necessidade de uma verificação rigorosa dos factos: «Todas as regras habituais do jornalismo devem ser aplicadas: a pesquisa e a edição devem ser sólidas, os factos têm que ser verificados e re-verificados. Assim, não deve haver publicação instantânea: ninguém deve colocar on-line um texto que não tenha passado pelo processo de edição».

Por sua vez, Lizy Zamora (2001) faz a seguinte enunciação das características e atitudes deste novo jornalista, resumindo todas as atrás descritas: «O jornalista não deve ser o profissional de um só meio de comunicação; deve adiantar-se às necessidades da audiência, explorando os fóruns de discussão, o chat e a possibilidade de correio electrónico para satisfazer esta procura; será um especialista no uso das novas tecnologias; deverá contar com suficientes critérios para apurar a veracidade das informações que obtenha na rede; a interactividade do jornalista será outra fonte de informação; deverá ter uma grande habilidade, inteligência e capacidade de selecção para procurar e encontrar a informação que necessita; terá que fortalecer os princípios éticos e deontológicos; conforme os factos vão ocorrendo; resumirá à audiência o mais importante do momento; deverá ter uma maior preparação, tanto em Ciências da Informação como em cultura geral».



2 O fim do jornalista?



No cenário actual, o próprio jornalismo é posto, de certa forma, em causa, pois a Internet, como observa Lasica (1997), «tem o potencial de reformular os fundamentos do jornalismo, do mesmo modo que a televisão alterou as regras da profissão». No entanto, partilhamos da opinião de Helder Bastos (2000) quando este defende que «o jornalismo terá todas as condições para ser reinventado, em vez de, como proclamam alguns, ser gradualmente eliminado». Na verdade, uma das questões mais em voga é a do fim (?) do jornalista como gatekeeper. Tal como presencia o autor supracitado, «muitos autores projectam as actuais tendências num futuro não muito longínquo para concluírem da falência, a prazo, dos actuais modelos jornalísticos ou, pelo contrário, salientarem a cada vez maior pertinência da função jornalística num mundo a caminhar a passos largos para a saturação informacional» (BASTOS, 2000). Esta última ideia parece-nos a mais viável, mas, apesar disso, há quem defenda que o papel de gatekeeper do jornalista acabou. Neste sentido, Jim Hall (2001) anuncia: «Os papéis que o jornalismo atribuiu a sim mesmo em meados do século dezanove, com a força do recentemente adquirido profissionalismo, como gatekeeper, agenda-setter e filtro noticioso, estão todos em risco quando as suas fontes primárias se tornaram acessíveis às audiências». Acrescenta o mesmo autor: «A partir do momento em que os leitores se tornam os seus próprios contadores de histórias, o papel de gatekeeper passa, em grande parte, do jornalista para eles». Mas acrescenta: «Os jornalistas adicionaram a função de cartógrafo ao seu papel e, na biblioteca universal que é a Internet, também se tornaram autenticadores e desenhadores para aqueles que seguem os mapas que eles desenham» (HALL, 2001).

Doug Millison (1999) pertence ao grupo de autores que defende a perenidade do valor da função jornalística, pois prevê: «Uma edição e filtragem de informação de confiança e com qualidade torna-se ainda mais importante na Internet, onde qualquer pessoa pode publicar qualquer coisa e fazer com que pareça importante». No entanto, há mudanças: «Em vez de encontrar ou descobrir informação, a tarefa agora é seleccionar, na amálgama informativa disponível, a informação mais importante» (HERBERT, 2000).

Há um outro grupo de autores que não fica indiferente às transformações operadas na função do jornalista, mas sem ditar um dos dois extremos - o fim ou a continuação como até aqui da função do gatekeeper - vendo antes a sua mudança. Neste sentido, Ricardo Jorge Pinto e Jorge Pedro Sousa (1998) atentam: «o jornalista perdeu o monopólio do jogo informativo. A sua função de filtro de informação ficou agora condicionada pela entrada em cena de mecanismos de divulgação comunicativa ao acesso de todos». No entanto, os mesmos autores preconizam a reconquista da função do gatekeeper por parte do jornalista, com as necessárias adaptações ao ambiente da Internet: «Essa poderá ser uma das funções futuras dos jornalistas: filtrar a informação na Net. Os seus órgãos de comunicação social poderiam ser as portas de entrada na Internet para quem está interessado em informação credível e útil». E fazem até uma sugestão: «As empresas jornalísticas, além de disponibilizarem conteúdos, teriam de ofertar motores de busca onde os links apontados fossem apenas aqueles que contivessem informação efectivamente credível e útil». Quanto a Helder Bastos (2000), este escuda assim o papel do jornalista: «Certas aptidões próprias desenvolvidas pelo jornalista tornar-se-ão cruciais. As capacidades de selecção, síntese, hierarquização, enquadramento e mesmo de personalização da notícia poderão ser insubstituíveis no ciberespaço, onde fenómenos como o da sobre-informação se vêem exponencialmente agravados». Aliás, Sylvia Moretzsohn (2000) também se refere a uma revalorização da mediação: «Não será o caso de retomar estes conceitos tais como foram formulados originalmente, mas é inevitável sublinhar o papel decisivo do jornalismo como prática de mediação discursiva: é através dela que podemos tomar conhecimento do que ocorre no mundo. O ponto de partida, portanto, é a recuperação do papel do jornalista como mediador».

Mais do que desaparecer, a função de gatekeeper tende a sofrer alterações. Deste modo, Jane Singer (1998) atenta para o facto do próprio conceito de gatekeeper estar a mudar e a adaptar-se à nova realidade, mas não a desaparecer: «As pessoas na redacção estão a modificar a sua definição de gatekeeper, passando a incorporar as noções de controlo de qualidade e significado. Em particular, eles vêem o seu papel como o de intérpretes credíveis de uma quantidade de informação disponível sem precedentes». Isto significa que os jornalistas vêem-se mais como intérpretes do que como guardiões da informação e que esta é a sua principal função.

Elias Gonçalves (2000) também reconhece: «O jornalismo digital, aproveitando-se da descentralização generalizada da produção de conhecimento entre os membros de uma comunidade, faz com que a função do jornalista se estenda cada vez mais a aspectos de uma actividade de moderação e hierarquização de factos gerados nos mais distintos pontos da rede». Enfim, como ressalta Katherine Fulton (2000), «o jornalismo e os jornalistas não vão desaparecer. Como fornecedores de significado e contexto entre todo o ruído, eles podem tornar-me mais essenciais do que nunca. Eles terão novas funções, tais como facilitar boas conversações on-line, organizar arquivos e agregar e reformular informação recolhida através de muitas fontes».

Então, com o jornalismo on-line ocorre uma revalorização da mediação do jornalista. Saber explicar e dar uma interpretação dos acontecimentos será algo cada vez mais valorizado: «Com todas as fontes de informação que existem agora, serão os jornais on-line que melhor expliquem as notícias os mais bem sucedidos», avança Jonathan Dube (2000). Na mesma linha de pensamento, Furio Colombo (1998) faz a seguinte analogia: «Os peritos e os profissionais da informação, neste quadro infinitamente maior, mais povoado, mais rico, mais perigoso, apresentar-se-ão como os voluntários de um patrulhamento ideal, os capacetes azuis que tentam retirar a ordem da desordem, sequências racionais do caos, e um constante trabalho de identificação e denúncia da desinformação que se torna possível numa base enormíssima».

A sobrecarga informativa é uma realidade: «Este crescimento exponencial de mensagens trocadas, de informação e serviços disponíveis através da Rede, apesar de potenciar a partilha de conhecimentos, a troca de informações e a oferta de serviços, coloca também dificuldades de selecção, remetendo para a necessidade de existirem mecanismos de filtragem que baixem a entropia e assegurem confiança» (ANTUNES, CASTRO e MEALHA, 2001). É aqui que entra o jornalista! Pensando desta forma, Lizy Zamora (2001) assevera: «O trabalho do jornalista será muito importante nesta nova era. Será o responsável por hierarquizar, organizar e apresentar a informação que interesse a cada pessoa segundo as suas necessidades». Ainda sobre o papel de gatekeeper do jornalista, considera: «Este trabalho de filtragem caberá ao jornalista. O ser humano não dispõe de tempo, nem tem a formação suficiente, para interpretar a informação». E acrescenta: «O utilizador terá a necessidade de contar com alguém que seleccione, informe, interprete e julgue os feitos que acontecem no mundo». Anabela Gradim (2000) defende que «todas estas formas de aceder à informação fazem sentido, e vão naturalmente coexistir. Mas não ameaçam os jornalistas, nem as suas publicações». A mesma autora, exemplifica: «um motor de busca ou uma base de dados não podem substituir este serviço inestimável que um jornal presta aos leitores. Podem, e muito bem, complementá-lo.»

Existe ainda um outro aspecto que torna imprescindível o jornalista, na opinião de Juan Antonio Giner (Cit. in PÉREZ, 1997): «Os meios são como os restaurantes: a diferença entre eles não radica na decoração nem sequer no serviço, mas sim nos cozinheiros – há redacções que servem a informação crua e há redacções que dominam a arte de elaborar a informação». O referido autor valoriza o papel do jornalista, sumarizando: «A vantagem competitiva por excelência será a distinta capacidade de refinar informação, valor acrescentado que se medirá segundo o produto final que os profissionais sejam capazes de obter a partir de una matéria prima que é comum a quase todos». Por outro lado, segundo outros autores, os jornalistas são necessários para dar credibilidade à informação. Roger Fidler (1998) admite: «Na era da comunicação digital, as características mais valorizadas dos meios do futuro seguramente serão a sua credibilidade e os seus laços com as comunidades que servem». Ao encontro desta ideia, Anabela Gradim (2000) declara que «o maior capital de um jornal, e o único do jornalista, é o seu brand name, uma reputação profissional impoluta, a credibilidade junto dos leitores e a confiança conquistada ao longo dos anos». Marcia Perencin Tondato (1997) corrobora: «Espera-se que, como em um supermercado, a origem da informação, a marca, seja um parâmetro no qual o usuário poderia confiar ao seleccionar as suas consultas». Perante esta realidade, o jornalista torna-se indispensável para dar credibilidade ao meio, acontecendo aquilo em que Doug Millison (1999) acredita: «Agora, mais do que nunca, precisamos de jornalistas profissionais que ajudem a distinguir o trigo de notícias de confiança e opiniões credíveis do joio de rumores e propaganda que abundam na Internet», o que vai ao encontro da ideia que os jornalistas são uma peça fundamental para se construir a credibilidade dos jornais on-line.



3 Jornalismo do cidadão: quem és tu?



Desde sempre o público procurou exprimir e expor o que para si seria importante revelar, dar a conhecer. Na imprensa eram e ainda são visíveis as acções dos receptores das mensagens através das intituladas “Cartas do Leitor”, que constituem avisos, alertas, críticas e desabafos sobre determinado assunto ou acontecimento. Assim, desde cedo, as “Cartas do Leitor” assumiram um papel preponderante na expressão de opiniões e alertas daquilo que os cidadãos consideravam importante para noticiar. Contemporaneamente é quase impensável qualquer meio impresso não dar espaço, por mais pequeno que seja, para serem publicadas as opiniões dos seus leitores. Porém, pode estar este meio em vias de extinção?

Com a Internet pode ficar para trás o tempo em que o público ficava em desvantagem, pois apenas recebia informação e dificilmente a questionava. Na verdade, a Internet praticamente impede o papel passivo do leitor ou receptor, já que obriga-o a debater, refutar ou contradizer determinada informação, notícia ou declaração. Isto acontece não de um modo passivo e por vezes moroso, como o “Direito de Resposta” ou as “Cartas do Leitor”, mas de uma forma imediata. Tal como nos diz João Canavilhas, “a máxima "nós escrevemos, vocês lêem" pertence ao passado. Numa sociedade com acesso a múltiplas fontes de informação e com crescente espírito crítico, a possibilidade de interacção directa com o produtor de notícias ou opiniões é um forte trunfo a explorar pelo webjornalismo. Num jornal tradicional o leitor que discorda de uma determinada ideia veiculada pelo jornalista limita-se a enviar uma carta para o jornal e a aguardar a sua publicação numa edição seguinte, tendo habitualmente que invocar a Lei de Imprensa para o conseguir. Por vezes a carta só é publicada dias depois e perde completamente a actualidade. (…) No webjornal a relação pode ser imediata. A própria natureza do meio permite que o webleitor interaja no imediato.” (CANAVILHAS, 2001)

A opinião é unânime quanto ao facto de que a Internet mudou o papel do tradicional receptor dos meios noticiosos. De facto, tal como defende Rodrigo Fino, “a mídia sempre foi o fiscal do poder, tendo a última palavra. Mas hoje, no caso do leitor de jornal, ele recebe muito mais informação do que antes, pela Internet, TV, celular e rádio. Agora, ele passou a se tornar fiscal da mídia, pois tem capacidade de distinguir qualidade, enfoques diferentes. O controle da informação está no cidadão. Isso mudou a relação da mídia com o leitor. Ao invés de "leitor", fica mais correto chamá-lo de "audiência". Pois o cidadão tem o poder de escolher, não só os veículos, mas agora também a plataforma: hoje é o jornal, amanhã ele muda para a Internet e, depois, para a TV.” (FINO cit.in Opovo, 2007)

Num Seminário Internacional de Jornalismo Online, realizado em São Paulo[1], Rosental Calmon viria a sublinhar a imposição da Internet no comportamento do receptor: “Neste novo sistema midiático, da era digital. O receptor também é emissor, com poder e controle sobre o conteúdo. O jornalismo está deixando de ser monopólio do jornalista. O jornalismo tem que descer de seu pedestal, pois não é mais feito de cima para baixo.” (CALMON cit.in MediaOn, 2007)

Actualmente, um “qualquer cidadão” arrisca-se, munido de todo o material necessário, a ser o primeiro a recolher informação, uma fotografia, declaração ou até mesmo um vídeo de um determinado acontecimento ocorrido em determinado local, hora e data. Mas transformará, tudo isto, um “qualquer cidadão” num jornalista?

Anteriormente, um jornalista fazia-se acompanhar do seu equipamento básico. O jornalista de imprensa com um bloco de notas e caneta, o da rádio com microfone e gravador e o de televisão com câmara de vídeo. Hoje em dia, basta uma nova tecnologia de topo, como um telemóvel 3G, para fazer tudo isso. Para a divulgação dos factos presenciados basta, ao “qualquer cidadão”, o acesso à Internet e a respectiva publicação, não necessitando para isso de muito conhecimento informático. Mas será possível confundir os conceitos webjornalismo e jornalismo do cidadão? O que há de comum entre os dois? Quais os seus protagonistas?

Não podemos definir exactamente o que é o jornalismo do cidadão, que na sua expressão original surge como citizen journalism, pois este fenómeno é apelidado das mais diversas formas. No entanto, todas as denominações coincidem na base de que o cidadão, que pode ser ou não profissional de jornalismo, desempenha a função de transmitir e difundir informação. Algumas das expressões utilizadas são: networked journalism, participatory journalism, open source journalism, we media, grassroots journalism e participatory media. Teremos de dizer que algumas destas expressões não são pacificamente aceites como sinónimas, ou seja, com o mesmo significado. São por vezes consideradas sucessoras e mais correctas que as anteriores, pelos seus respectivos defensores.

O movimento original teve o seu início nos Estados Unidos com duas variantes, a public e civic journalism, que Alzira Abreu (ABREU, 2003) explica da seguinte forma: “O primeiro foi uma resposta à perda de leitores da imprensa escrita na concorrência com os canais de televisão, e também uma maneira de impedir o controle, cada vez maior, das máquinas partidárias sobre o debate político na mídia. Esse novo jornalismo pretendia impor uma nova agenda de opinião e se tornar o intérprete dos cidadãos quanto à hierarquia dos problemas e à escolha das soluções pela comunidade. O civic journalism nasceu na década de 1970 por iniciativa de um industrial de petróleo, que decidiu financiar projetos de jornalismo tendentes a enaltecer os valores democráticos. Desenvolveu-se a partir dessa experiência, orientado para mobilizar, dar a palavra aos cidadãos comuns e aos responsáveis por associações e comunidades. Baseado na afirmação dos procedimentos democráticos, esse movimento, considerava o confronto de opiniões o motor das escolhas e da deliberação na comunidade e apresentava o jornalista como o animador dessa atividade. Esse movimento representava a democracia participativa, direta, que servia de referência nesse tipo de jornalismo”. (ABREU, 2003)

No jornal sul-coreano, OhmyNews, o jornalismo do cidadão é explicado por Munish Nagar da seguinte forma: “O jornalismo do cidadão mudou o panorama da situação, agora qualquer pessoa, seja ela um principiante ou um jornalista experiente pode trabalhar e ser publicado de igual forma” (NAGAR, 2007).

Esta possibilidade de um “qualquer cidadão” colocar uma informação ou conteúdo na Internet apenas existe com a Web 2.0 (atribui-se a autoria do termo a Tim O’Reilly, 2003). A Web 2.0 veio possibilitar uma nova forma de comunicação, “de muitos para muitos”, que substitui a “de um para muitos”. Se, antigamente, o poder de transmitir informação estava reservado apenas a um pequeno nicho de entendidos, actualmente, esta pertence a todos quantos tiverem disponibilidade e vontade de informar. Queremos com isto dizer que, anteriormente, apenas certos cidadãos tinham a possibilidade de gerar informação e transmitir notícias, mas contemporaneamente o mesmo não se verifica. A informação pertence a quem a encontra e pode ser transmitida por todos, necessitando, para tal, apenas de uma ligação à Internet.

Com a possibilidade da livre publicação de pensamentos e informação, aberta pela Web. 2.0, estamos bem encaminhados para a comunicação “de muitos para muitos”. O receptor opta. O receptor selecciona. O receptor define quase tudo (se não mesmo tudo). Com a sua maneira de pensar, sua maneira característica, ou não, de ver o mundo, ele tem a última palavra quanto ao tipo de informação que quer receber e quando a pretende receber. Assim, o receptor, pode assumir diversos papéis:

- ter uma postura passiva e ficar apenas com o papel de receptor no processo de comunicação;

- ser emissor, bastando, para tal, ter informação para transmitir;

- ser comentador;

- ser ruído no processo de comunicação bastando, para tal, “falar” sem ter nada para dizer – exemplo deste modo de participação na comunicação é o denomindado spam.

Por tudo isto, a Internet permite encaixar na sua configuração todos os perfis de utilizadores, tornando-se o mais abrangente meio de comunicação, não apenas por todas as suas características, mas também pela componente inovadora capaz de proporcionar ao “qualquer cidadão” a oportunidade de interagir e deixar a posição passiva imposta pelos restantes meios de comunicação. Uma outra vantagem, quanto a nós, também preponderante, é o carácter gratuito dos blogs, que tornam a proliferação em algo natural, inovador e sem custo.

Analisando mais detalhadamente a questão dos blogs, estes são, quanto a nós, os principais responsáveis pela modificação da forma de comunicar e informar. Nascem inicialmente como espécie de diário online, mas aos poucos vão ganhando significados diferentes e uma nova dimensão. Tal como explica Luís Santos: “O ano de 2003 foi o ano da emancipação do weblog como protagonista autónomo de mais uma das potenciais áreas de expansão (…). (SANTOS, 2004) No início de 2007, o número de blogs rondava os 70 milhões e permanecia a tendência para este crescer. (FUMERO e ROCA, 2007: 35) Fica assim, desde já, provado o peso desta ferramenta virtual no ciberespaço.

Talvez a facilidade com que os blogs e respectivos bloggers (utilizadores dos blogs) surgem tão explosiva e rapidamente seja justificada da seguinte forma: “Aliada à simples criação, que não necessita de nenhum conhecimento técnico, a facilidade de actualização e de publicação foi um dos factores que mais ajudou à popularização e vulgarização dos blogs”. (SIMÃO, 2006)

Mas será que se pode esperar jornalismo ou apenas fontes noticiosas? Qual a sua importância? Será possível fazer webjornalismo em blogs? Em resposta a esta última pergunta, João Simão responde que “possível é, no entanto dificilmente se praticará”, mas será possível “porque os blogs oferecem duas das mais importantes necessidades do webjornalismo; a actualização constante, renovação de informação, e a interacção com os webnautas”. (SIMÃO, 2006) Perante a mesma questão, Luís Santos diz-nos que teremos de ver a questão a partir de dois pontos: “Se pensarmos na vertente técnica, os weblogs parecem encaixar na perfeição com as exigências do tempo jornalístico presente, potenciam um espaço de sinergias multimédia e corporizam um novo conceito de produção de texto apelativo e adaptável às exigências formais do jornalismo. Se olharmos para os aspectos de conteúdo, percebemos nos weblogs menos pontos de contacto com o jornalismo do presente, mas talvez uma eventual visualização do que se lhe pode vir a pedir: texto cuidado, ligação às fontes, formatação menos rígida, estilo mais próximo da ‘voz humana’, maior personalização e menor intermediação”. (SANTOS, 2004)

Rebecca Blood aponta também para uma ligação entre o jornalismo do cidadão e o jornalismo devido ao aspecto técnico da questão: “Os media participativos e o jornalismo são diferentes, mas quando estão on-line existem num espaço mediático partilhado. Há tremendas sinergias possíveis entre os dois”. (BLOOD, 2004) Por sua vez, Jay Rosen é claro quanto ao que se deve pensar sobre o jornalismo participativo: “A questão agora não é se os blogs podem ser jornalismo. Eles podem ser, às vezes. Também não é se os bloggers “são” jornalistas. Aparentemente eles são, por vezes. Temos que fazer questões diferentes agora, porque os acontecimentos (por exemplo o tsunami no sudeste asiático) fizeram a história avançar”. (ROSEN, 2005)

O texto de Rosen em que o autor defende o fim da “guerra” entre bloggers e jornalistas poderia servir de mote para a entrevista concedida por António Granado ao JornalismoPortoNet, durante a qual refere que os textos do seu blog Ponto Media “são sobretudo apontadores para leituras e não jornalismo. O jornalismo é uma coisa um bocadinho diferente: é utilizar as técnicas jornalísticas para fazer uma notícia – confirmar a informação, haver uma investigação própria, um trabalho próprio. Eu limito-me a apontar para outros órgãos de comunicação social, isto não é fazer jornalismo. Quanto muito, faço análise, mas não jornalismo. Em Portugal, não conheço nenhum blog que faça jornalismo. De vez em quando, há um outro blog que dá notícias em primeira-mão”. (GRANADO cit.in COELHO e PALHARES, 2005)

Na segunda edição do programa Cronicamente Viável[2], a jornalista e directora de conteúdo do site UOL, Márion Strecker, deixou clara a sua opinião: “Não é o fato de todo mundo ter acesso a ferramentas de publicação, num ambiente internacional como a Internet, que vai transformar todo ser humano em jornalista. Parece-me um pouco desagradável quando portais dão primeira página só para dizer que estão aceitando o conteúdo do público e que são democráticos. Enchem a bochecha para falar esta palavra: democracia. E publicam com quatro dias de atraso uma notícia velha e pior escrita, que já tinha sido publicada com muito mais precisão dias atrás por um veículo profissional.” (STRECKER cit.in UOL, 2007)

Também de acordo com o anterior pensamento estará José Luis Orihuela, que afirma: “Os blogs não são jornalismo, nem novo nem velho. Não há, na imensa maioria dos blogs, a mínima intenção de fazer jornalismo nem os bloggers são considerados jornalistas. O que têm os blogs é, por um lado, um impacto sobre a esfera da comunicação pública, já que são uma “via” para fazer jornalismo. Seguindo esta “via” estão jornalistas de diferentes meios de comunicação, ao escreverem em blogs oficiais dos meios de comunicação ou em blogs pessoais. Um jornalista pode ter o seu próprio blog, mas não é o facto de trabalhar neste formato que lhe dá a condição de jornalista, mas sim uma formação específica. (ORIHUELA cit. in PRNoticias, 2006) Por outro lado, um acérrimo defensor da separação entre jornalismo e jornalismo cidadão, Chris Carroll é categórico: “não há dúvida que alguma coisa nova apareceu nos últimos dois anos e as redacções tradicionais vão ter que lidar com estes novos cidadãos jornalistas. Mas a ideia que existe uma essência de jornalismo cidadão – que substitui o denominado jornalismo tradicional – está morta” (CARROLL, 2006).

Além dos aspectos já referidos, há uma outra questão que se poderá colocar: quem são os responsáveis pelos textos publicados pelos “cidadãos jornalistas”? Mas quem manda, se não há responsáveis, se não há uma hierarquia? Num artigo de Rodrigo Galiza e Miguelli Simioni, recentemente publicado em Observatório da Imprensa, a responsabilidade deve ser dividida: “Encontrar um culpado no caso de irresponsabilidade no jornalismo cidadão parece ser um impasse. Ao mesmo tempo que o "cidadão jornalista" é o autor do erro, o meio de comunicação possui responsabilidades quanto ao material publicado.” (GALIZA e SIMIONI, 2007) Para responder a este impasse, talvez seja oportuno analisar a opinião de Joan Connell, produtor executivo da MSNBC.com: “Eu defendo que a função de edição da sala de redacção é o factor que faz o jornalismo” (CONNELL cit.in AUSC ANNENBERG, 2003). Assim se salienta a necessidade de um editor, ou seja, um profissional de jornalismo, que valide o trabalho dos “cidadãos jornalistas” e sirva de intermediário entre estes e o público final do meio de comunicação.

Em suma, e para terminarmos esta breve reflexão, ao invés de questionarmos se o jornalismo do cidadão é ou não fundamental, preferimos afirmar que é inevitável e que até poderá tornar-se útil para o jornalista. No entanto, somos peremptórios em dizer que, apesar de alguns erros cometidos pelo jornalismo contemporâneo, o jornalismo do cidadão nunca tomará o controle sobre o jornalismo. De facto, falta-lhe a marca de credibilidade e rigor na transmissão de informação que só jornalismo detém. Acreditamos que a “selecção natural”, que Darwin enunciou, também se aplicará nesta situação e ditará o seu rumo.



Notas



[1] MediaOn, 1º Seminário Internacional de Jornalismo Online realizado em São Paulo entre 12 e 14 de Junho de 2007, na sede do Itaú Cultural.

[2] Decorreu no mês de Abril de 2007 em São Paulo, foi a segunda edição do programa Cronicamente Viável, que este ano tem como tema A Informação e a Imaginação na Internet.





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* Inês Aroso – Docente na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (Vila Real – Portugal), Doutoranda em Ciências da Comunicação, Mestrado em Ciências da Comunicação (Jornalismo). Áreas de Investigação: Jornalismo Científico, Jornalismo na área da Saúde, Jornalismo e Novas Tecnologias. Experiência profissional mais relevante como jornalista na área da Saúde.

Email: inaroso@hotmail.com Web: http://comunicamos.wordpress.com





* Frederico Correia – Mestrando em Ciências da Comunicação na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Licenciatura em Ciências da Comunicação. Áreas de Investigação: Jornalismo Desportivo, Jornalismo e Novas Tecnologias. Experiência profissional mais relevante como jornalista na área do Desporto.

Email: fredpakito@sapo.pt Web: http://cambalhotamatinal.wordpress.com

segunda-feira, março 10, 2008

Webfólio como estratégia de avaliação e aprendizagem

no início do ano nem sempre é fácil pensarmos no que trabalhar com os alunos. Não é por menos, afinal novas turmas são formadas e ainda que alguns professores lecionem novamente para um mesmo ciclo ou faixa etária, nunca uma turma é igual a outra e sempre temos expectativas sobre os novos alunos que nos esperam.

É tempo de pensar na importância do planejamento, rever o que foi bom, o que pode ser melhorado, acrescentado, adaptado. Essa revisão também depende em grande parte das experiências já vivenciadas pelos alunos durante os anos anteriores, para a partir daí identificarmos seus atuais interesses e necessidades de aprendizagem.

Diante desse quadro, iniciamos o ano letivo com algumas questões: como podemos conhecer melhor o nosso aluno? O que ele aprendeu no ano anterior? Quais suas expectativas e necessidades? Que tipo de projeto poderia ser significativo para sua aprendizagem e poderia realmente envolvê-lo?

Neste artigo propomos o uso de Webfólios construídos em ambientes de Blogs como estratégia para acompanhamento do processo de aprendizagem dos alunos durante o ano letivo.

Nossa intenção é ilustrar as possibilidades e os benefícios dessa prática tanto para a aprendizagem dos alunos, quanto para avaliação e melhor acompanhamento pelo professor.

terça-feira, setembro 12, 2006

Fluxograma


Fluxograma, pode ser entendido como uma representação esquemática de um processo, muitas vezes feita através de gráficos que ilustram de forma descomplicada a transição de informações entre os elementos que o compõem. Podemos entendê-lo, na prática, como a documentação dos passos necessários para a execução de um processo qualquer. É uma das Sete Ferramentas da Qualidade.

quarta-feira, junho 14, 2006

Tecnologias da Comunicação e da Informação

Oi alunos,


Vejam os blogs da disciplina
Educação e Tecnologias da Comunicação e da Informação


Avaliações e resultados A1 e A2



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quinta-feira, março 02, 2006

Arte Digital


Manipulação fotográfica - Arte Digital - Solange Pereira Pinto - 2005